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Biólogos avançam no estudo e na preservação da jiboia mais rara do mundo após sucesso em projeto no interior paulista

Com o apoio de moradores do Vale do Ribeira, em São Paulo, o Projeto Jiboia do Ribeira amplia os registros e estudos sobre a Corallus cropanii, considerada a jiboia mais rara do mundo.

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Biólogos avançam no estudo e na preservação da jiboia mais rara do mundo após sucesso em projeto no interior paulista

Pesquisadores e biólogos brasileiros celebram os avanços na conservação e no estudo da jiboia-do-Ribeira (Corallus cropanii), amplamente reconhecida como a serpente mais rara do mundo. Endêmica da Mata Atlântica e restrita à região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, a espécie voltou a ser avistada e estudada graças a uma bem-sucedida iniciativa de ciência cidadã e educação ambiental que completa dez anos de atuação na área.

A reviravolta na história de conservação do réptil começou em outubro de 2016, quando um morador da comunidade Guapiruvu, em Sete Barras (SP), avisou os pesquisadores sobre a presença de uma serpente incomum. Tratava-se do primeiro exemplar vivo encontrado em mais de 60 anos, desde a descrição oficial da espécie em 1953 pelo herpetólogo Alphonse Richard Hoge, do Instituto Butantan. A cobra foi batizada carinhosamente de Dona Crô.

Antes desse marco, apenas seis espécimes haviam sido localizados ao longo de décadas, todos já sem vida. Desde o início das ações coordenadas pelo Projeto Jiboia do Ribeira (PJR) em parceria com instituições como o Museu de Zoologia da USP (MZUSP), foram contabilizados cerca de 20 novos registros da serpente não peçonhenta, permitindo que cientistas analisem características biológicas e ecológicas até então desconhecidas.

Especialistas explicam que o sucesso na localização de novos indivíduos — como as fêmeas Esperança e Juquiá, além de outros exemplares — decorre diretamente do engajamento dos moradores locais. Por meio de palestras e trabalhos de conscientização, a população da região aprendeu a identificar o animal e a diferenciá-lo de espécies peçonhentas, como a jararacuçu, eliminando o medo e transformando os habitantes em aliados fundamentais na proteção da fauna.

Com o avanço do projeto, o PJR integrou recentemente a ONG Conservação Brasil, o que garante maior segurança jurídica e suporte para a obtenção de recursos financeiros. A meta para a próxima década é expandir as ações de preservação por todos os municípios do Vale do Ribeira, consolidando a jiboia-do-Ribeira como o grande símbolo natural da conservação da biodiversidade na região.

Apesar dos desafios financeiros e da pressão exercida pelo desmatamento e pelo avanço de atividades agrícolas e rodoviárias na Mata Atlântica remanescente, os idealizadores do projeto avaliam que a transformação na relação entre a comunidade e a espécie é um legado sólido. A preservação da serpente, que atua como predadora de topo na cadeia alimentar, assegura o equilíbrio ecológico e a saúde de todo o ecossistema local.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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