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Após quase morrer, médico transforma transplantes e testa órgãos suínos

Sobrevivente de paradas cardíacas, o cirurgião Robert Montgomery lidera inovações em transplantes de órgãos e testes com rins e corações suínos geneticamente modificados.

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Após quase morrer, médico transforma transplantes e testa órgãos suínos

A trajetória do renomado cirurgião americano Robert Montgomery com a medicina de transplantes é marcada por uma profunda urgência pessoal. Diagnosticado com cardiomiopatia dilatada — mesma condição genética rara que vitimou seu pai e seu irmão — Montgomery enfrentou episódios graves de quase morte ao longo dos anos, incluindo paradas cardíacas durante viagens e eventos públicos.

À medida que sua própria saúde se deteriorava, a necessidade de um novo coração tornou-se iminente. Conhecedor da extrema escassez de órgãos e da alta taxa de mortalidade na lista de espera, ele próprio entrou na fila e recebeu um transplante cardíaco em 2018, em uma cirurgia bem-sucedida realizada na NYU Langone Health.

Antes disso, durante sua carreira na Johns Hopkins Medicine, o cirurgião já havia se destacado ao desenvolver técnicas minimamente invasivas para a retirada de rins de doadores vivos e ao criar programas pioneiros de doação em cadeia entre pares incompatíveis. Ele também viabilizou o uso de órgãos de doadores com HIV para pacientes soropositivos, alterando diretrizes e práticas médicas consolidadas.

Contudo, a escassez crônica de órgãos humanos continuou a impulsionar Montgomery rumo a medidas mais radicais. Sob sua liderança, equipes médicas começaram a explorar os xenotransplantes, avaliando a viabilidade de utilizar órgãos de animais geneticamente modificados para suprir a demanda de pacientes em estado terminal sem alternativas terapêuticas.

No segundo semestre de 2021, o médico anunciou a realização do primeiro transplante bem-sucedido de um rim de porco geneticamente modificado em um ser humano, mantendo o órgão em funcionamento sem rejeição hiperaguda durante o período estabelecido pelos comitês de ética. Experimentos subsequentes com rins e corações suínos em pacientes vivos demonstraram que os tecidos animais podem funcionar de maneira adequada no organismo humano.

Com a autorização de ensaios clínicos regulatórios por órgãos competentes para testar os transplantes em pacientes de alto risco, Montgomery segue liderando novas frentes na medicina regenerativa. Recuperado dos graves problemas de saúde, ele mantém uma rotina ativa e vê nos xenotransplantes o futuro definitivo para salvar milhares de vidas na fila de espera.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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