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Mato Grosso do Sul tem só 59% da capacidade necessária para armazenar grãos

Novo levantamento aponta que Mato Grosso do Sul dispõe de estrutura para guardar apenas 17,19 milhões de toneladas de soja e milho, gerando um déficit que atinge 91% dos municípios produtores.

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Mato Grosso do Sul tem só 59% da capacidade necessária para armazenar grãos

Mato Grosso do Sul dispõe atualmente de apenas 58,8% da capacidade de armazenagem considerada necessária para atender à sua produção de soja e milho. Conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira (28), o Estado possui infraestrutura para guardar 17,19 milhões de toneladas, enquanto a necessidade calculada alcança 29,22 milhões de toneladas, resultando em um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas.

Os dados integram o painel de armazenagem da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), atualizado com informações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e levantamentos de campo. O problema afeta 71 dos 78 municípios produtores analisados no Estado, o equivalente a 91% do total.

O cálculo do estudo considera a média das últimas cinco safras de soja e milho. Para a temporada 2025/2026, a produção combinada dos dois principais grãos sul-mato-grossenses é estimada em 27,9 milhões de toneladas. Atualmente, a capacidade instalada no território estadual está distribuída entre 799 complexos armazenadores localizados em 65 municípios.

Entre os exemplos mais marcantes do descompasso estão Ponta Porã e Maracaju, que juntos acumulam um déficit de aproximadamente 2,43 milhões de toneladas. Em contrapartida, Dourados abriga a maior estrutura de armazenagem do Estado, com cerca de 2,42 milhões de toneladas, integrando o grupo de apenas sete municípios com capacidade superior à necessidade calculada.

Além de Dourados, os municípios de Bataguassu, Batayporã, Porto Murtinho, Sidrolândia, Brasilândia e Três Lagoas também apresentam saldo positivo em suas estruturas. Juntas, as localidades de Dourados, Sidrolândia, Maracaju, Ponta Porã e São Gabriel do Oeste concentram 49,9% de toda a capacidade instalada no Estado, embora respondam por 37,6% da produção considerada no estudo.

A distribuição geográfica dos armazéns evidencia forte dependência do modal rodoviário. Cerca de 41% da capacidade estadual está concentrada em unidades situadas a até 30 quilômetros da rodovia BR-163. Quando o cálculo engloba todas as rodovias federais que cortam o Estado, o índice de proximidade sobe para expressivos 88,6%.

Por outro lado, a integração com ferrovias e hidrovias segue limitada. Embora o Estado conte com 1.581 quilômetros de malha ferroviária, somente 378 quilômetros possuem circulação regular. Apenas 7,9% da capacidade de armazenagem está próxima à Malha Norte, única via férrea com operação regular, ao passo que 3,9% fica localizada a até 30 quilômetros dos corredores hidroviários analisados.

O levantamento da entidade demonstra que a escassez de espaço para estocagem acompanha a expansão da safra há mais de uma década. Em 2023, ano que registrou a maior produção da série histórica analisada, a demanda por armazenagem chegou a 35,07 milhões de toneladas, fazendo o déficit disparar para 21,53 milhões de toneladas, a maior diferença observada no período.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano