O advogado Amilton Ferreira de Almeida foi preso temporariamente por 30 dias sob suspeita de obstrução à Justiça, em desdobramento das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Ele é investigado por supostamente ter vazado informações sigilosas da Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que deixou sua residência momentos antes da chegada das equipes policiais.
O caso teve início na quinta-feira da semana anterior, quando o Gaeco cumpria mandados no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, com o objetivo de deter o delegado. No entanto, os agentes não o encontraram no imóvel. O episódio levantou suspeitas imediatas de que a ordem de prisão havia vazado, motivando a busca por imagens de câmeras de segurança para verificar a dinâmica e o horário exato da saída de Hoffman.
Naquele mesmo dia, ainda pela manhã, Amilton conversou com o então cliente por chamada de vídeo e negou que ele estivesse foragido. No final da tarde, o delegado se apresentou na Corregedoria da Polícia Civil. Na ocasião, o advogado declarou à imprensa que a saída matinal do cliente tratou-se de uma ‘pura coincidência’ e que o policial havia ficado ‘muito surpreso’ com a operação, cujo conteúdo era sigiloso.
A investigação sobre o vazamento resultou na Operação Obstructio, segunda fase da Infiltrados. O mandado de prisão temporária e as ordens de busca e apreensão foram cumpridos pelo Gaeco, com a detenção de Amilton em sua residência na Vila Albuquerque. A diligência contou com o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), enquanto o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apontou existirem evidências materializadas de comunicação prévia que prejudicaram a apuração sobre a organização criminosa.
A nova defesa do advogado, representada pela advogada Damares Costa Machado, negou as acusações de vazamento. Segundo a versão apresentada, os dois teriam combinado um café por volta das 5h da manhã, rotina de caminhada que costumavam fazer, e após o encontro o delegado não retornou para casa, apresentando-se posteriormente à Corregedoria. A defesa ressaltou ainda que o celular de Amilton foi disponibilizado para análise pericial.
A Operação Infiltrados investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes da segurança pública em Mato Grosso do Sul, com ramificações em Campo Grande, Dourados e Terenos. O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa é apontado pelo Gaeco como integrante do núcleo de comando do esquema e permanece preso preventivamente após passar por audiência de custódia.
Fonte: www.campograndenews.com.br
