O tratamento para a ludopatia, vício em apostas e jogos de azar, esbarra frequentemente em um ciclo de vergonha e mentiras. Nele, impera a confiança do jogador de que conseguirá reaver o prejuízo financeiro, ao mesmo tempo em que se afunda em novas dívidas e sofrimentos profundos.
Segundo o presidente do Cead/MS, o psiquiatra Marcos Estevão dos Santos Moura, a procura por ajuda profissional ainda é menor do que deveria ser. As pessoas afetadas carregam um peso elevado de vergonha em decorrência do envolvimento com os jogos on-line e cassinos virtuais disponíveis 24 horas por dia.
Assim como ocorre na dependência química tradicional, a busca pelo prazer leva o indivíduo a jogar de forma recorrente. O quadro é acompanhado por negligência no trabalho, na convivência familiar e nas tarefas diárias, além de tentativas fracassadas de interromper o comportamento e o recurso a empréstimos com agiotas.
O psiquiatra Eduardo Araújo ressalta que o transtorno não se define unicamente pelo volume de dinheiro perdido, mas sim pela perda crônica de controle. O apostador mantém a prática apesar de todas as consequências negativas evidentes para sua estabilidade emocional e financeira.
Para combater o problema, o tratamento envolve tipicamente psicoterapia, participação em grupos de apoio, medidas de autoexclusão digital e, em situações específicas, o uso de medicamentos psiquiátricos. Familiares também são orientados a incentivar a busca por ajuda especializada sem recorrer à quitação direta de dívidas sem um plano terapêutico.
No âmbito institucional, o governo federal anunciou um pacote de medidas voltado a proibir a operação de apostas de quota fixa no país, estabelecendo prazos para o resgate voluntário de saldos por parte dos apostadores. Em Campo Grande, grupos de apoio como os Jogadores Anônimos oferecem atendimento presencial regular para auxiliar na recuperação dos dependentes.
Fonte: www.campograndenews.com.br
