O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente ter mantido três conversas com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, acerca da crise institucional instaurada na corte. Os atritos internos surgiram após a divulgação de mensagens obtidas em um aparelho celular pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que revelavam conexões entre magistrados e o empresário.
Durante participação em uma transmissão de podcast, Lula detalhou que cobrou de Fachin uma postura enérgica para conter os conflitos públicos entre os integrantes do tribunal. Segundo o chefe do Executivo, ele teria pedido ao ministro que evitasse a exposição de divisões e disputas internas na Suprema Corte brasileira.
Na avaliação do presidente, a condução do caso por parte de Fachin não ocorreu da maneira correta, embora tenha ressaltado que não pretendia interferir ou dar palpites diretos nas decisões internas do Poder Judiciário. A entrevista do mandatário ocorreu simultaneamente ao debate televisivo promovido pela TV Globo, ao qual ele optou por não comparecer.
Além da crise no STF, o petista abordou outros temas de repercussão política, incluindo sua relação diplomática com o ex-presidente norte-americano Donald Trump e críticas direcionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em decorrência de supostas ligações com o caso conhecido como “Dark Horse”. A rixa entre ministros, com destaque para as divergências entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, também esteve no centro das declarações.
Sobre a decisão do ministro Flávio Dino de pedir vista e suspender a análise de um relatório da Polícia Federal que apontava Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro, Lula saiu em defesa de Dino, classificando-o como altamente competente. O presidente argumentou que o debate sobre o pedido de vista diz respeito exclusivamente ao funcionamento interno da corte superior.
Por fim, o mandatário sugeriu que o escândalo envolvendo conexões com o Banco Master pode envolver outros atores do Judiciário e da política, mencionando investigações e ligações que vão desde contratos até viagens e fundos de investimento. Lula também pontuou que o desgaste de Alexandre de Moraes perante o setor bolsonarista decorre primordialmente da condução dos inquéritos voltados a Jair Bolsonaro, e não de sua citação no caso recente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
