O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está em processo de negociação para o financiamento de um empreendimento bilionário voltado à exploração e industrialização de terras raras no sul de Minas Gerais. O chamado Projeto Caldeira prevê a implementação de etapas industriais no próprio território brasileiro para o processamento desses minerais estratégicos, distanciando-se do modelo tradicional de mera exportação de matéria-prima bruta.
Além da concessão de crédito, a operação avaliada poderá incluir a participação do BNDESPar — braço de investimentos do banco de fomento — na qualidade de acionista minoritário do empreendimento. As tratativas financeiras envolvem a companhia australiana Meteoric Resources, cuja aquisição recente foi anunciada pelo grupo Lynas em uma transação estimada em cerca de R$ 3,5 bilhões na bolsa da Austrália.
As conversas entre o banco estatal e a Meteoric antecedem a entrada da nova controladora e fazem parte de uma iniciativa conjunta lançada pelo BNDES em parceria com a Finep. O programa, estruturado para fomentar a industrialização de minerais críticos no país, contempla o projeto mineiro entre os dez mais avançados de sua carteira, selecionada em meados de 2025.
Apesar de o negócio ainda não estar formalmente concluído, fontes familiarizadas com o processo indicam que a linha de crédito figura como a etapa mais madura das tratativas em comparação com a constituição da sociedade. Os estudos de viabilidade técnica e financeira do Projeto Caldeira apontam para um montante total de aproximadamente US$ 498 milhões, equivalente a cerca de R$ 2,6 bilhões, destinados à construção da planta industrial.
A mudança no controle acionário da Meteoric, oficializada perante o mercado australiano no final de setembro, foi debatida com os diretores do BNDES dias antes do anúncio oficial durante uma reunião realizada no Rio de Janeiro. A entrada do grupo Lynas é avaliada internamente como um fator de fortalecimento financeiro e de garantias, embora exija uma revisão detalhada da estrutura societária e da habilitação técnica apresentada ao banco.
O BNDES enxerga no Projeto Caldeira uma iniciativa fundamental para dar o impulso inicial à criação de uma cadeia produtiva nacional voltada a minerais críticos e terras raras, visando estabelecer uma alternativa relevante à concentração global de refino atualmente dominada pela China. As terras raras são elementos essenciais aplicados em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e tecnologias de alta precisão.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
