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Encontro internacional debate desafios no combate ao recrutamento de jovens por facções

Especialistas reunidos no Chile apontam que o aliciamento muitas vezes começa na internet com tarefas simples e destacam a necessidade de ações de inteligência e prevenção.

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Encontro internacional debate desafios no combate ao recrutamento de jovens por facções

Facções criminosas têm utilizado o ambiente virtual para se aproximar de crianças e adolescentes, iniciando o recrutamento com tarefas como monitorar ruas ou carregar encomendas. O tema foi o foco das discussões nesta quinta-feira (22), durante o 2º Encontro da Rede Parlamentar de Segurança do ParlAmericas, realizado no Chile, onde autoridades debateram formas de interromper essa dinâmica antes que ocorram atos de violência.

Especialistas apontam que a prevenção deve ocupar o centro das políticas de segurança, combinando inteligência, educação, proteção social e responsabilização dos exploradores. Sara Rodríguez, representante do Instituto Interamericano da Criança e do Adolescente, vinculado à OEA, alertou que os menores envolvidos em infrações podem ter sido coagidos, um fator que deve ser considerado pelo poder público. Por sua vez, Alexandra Martins, representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), destacou em setembro que a falta de dados estatísticos precisos no Brasil dificulta a mensuração do problema e o direcionamento de medidas preventivas.

Atuação legislativa e cenário regional

Único parlamentar brasileiro presente no evento, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) atua como relator do PL 6.423/2025, projeto que regulamenta a atividade de inteligência de Estado e teve sua votação adiada em julho a pedido da liderança do governo. A proposta discute regras para técnicas sigilosas, acesso a dados e mecanismos de controle para antecipar ameaças sem descuidar da proteção aos cidadãos. A relevância do tema é acentuada em Mato Grosso do Sul devido à faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia e à atuação de redes criminosas transnacionais.

Durante o evento, Rodrigo Nakada Castro, do Centro de Estudos de Justiça das Américas (CEJA), apresentou um estudo preliminar indicando que 61,2% das reformas legislativas na região são parciais ou incrementais, reforçando que o endurecimento de penas não surte efeito sem estrutura e recursos adequados. O encontro também abordou a proteção de mulheres e meninas, com apontamentos de Ana Elena Obando-Mendoza, da Equality Now, sobre barreiras no acesso à Justiça e o uso de violência por grupos criminosos. Em Mato Grosso do Sul, dados do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher apontam o registro de 18 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, superando as 17 contabilizadas no mesmo intervalo de 2025.

Escrito por

Jeder Fabiano