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Mudanças climáticas impulsionam avanço de doenças infecciosas no Brasil

Estudos apontam expansão territorial da dengue, febre do Oropouche, leptospirose e infecções fúngicas associadas a variações de temperatura e chuvas.

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Mudanças climáticas impulsionam avanço de doenças infecciosas no Brasil

As alterações nas temperaturas e no regime de chuvas no Brasil têm contribuído diretamente para a expansão de doenças infecciosas em diferentes regiões do país. Problemas de saúde como dengue, febre do Oropouche, leptospirose e infecções provocadas por fungos passam a atingir áreas antes não afetadas.

Conforme dados de um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) citados pela Agência Brasil, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue saltou de 110 para 292 entre 2006 e 2024. Atualmente, essas localidades abrangem 54% do território nacional, com avanço expressivo em locais de temperaturas historicamente menos favoráveis ao vetor, como o Rio Grande do Sul, que contabilizou quase 210 mil casos confirmados e 281 mortes em 2024.

Outras enfermidades e eventos extremos

A febre do Oropouche também registrou expansão, saindo de uma concentração na Região Amazônica até 2023 para atingir 23 estados e o Distrito Federal, com mais de 12 mil casos em 2025. Pesquisadores avaliam que as variações térmicas, o volume de chuvas e a degradação ambiental influenciam na circulação do vírus.

Além disso, eventos climáticos extremos como enchentes e secas elevam os riscos sanitários no território brasileiro. Durante inundações, o contato da água com esgoto e resíduos propaga a transmissão de leptospirose, enquanto períodos de seca e queimadas expulsam animais silvestres de seus habitats, elevando o risco de infecções como a hantavirose, que acumulou 530 casos e 212 mortes desde 2016.

Adaptação de fungos

O aquecimento ambiental também preocupa especialistas em relação à adaptação de microrganismos. O primeiro registro da Candida auris no Brasil ocorreu na Bahia em 2020, somando posteriormente 24 ocorrências em 15 estados, com alta letalidade em casos de infecção generalizada na corrente sanguínea.

Especialistas reforçam que a combinação de calor, chuvas intensas e secas prolongadas exige maior atenção das autoridades de saúde pública. O cenário favorece a dispersão de agentes infecciosos e impõe novos desafios para o controle de enfermidades conhecidas no país.

Escrito por

Jeder Fabiano