
A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas nesta quinta-feira (29) para investigar suspeitas de irregularidades na cúpula do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). A mobilização contou com mais de 180 policiais federais para o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e em Mato Grosso do Sul, onde agentes atuaram em Campo Grande.
Origem das investigações
A apuração teve início a partir de uma denúncia anônima enviada ao Ministério Público Federal sobre o suposto favorecimento de empresas contratadas pelo tribunal mato-grossense. O caso levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a determinar a abertura de sindicância e a autorizar medidas como quebras de sigilo bancário, afastamentos de cargos e bloqueio de bens de até R$ 145 milhões.
Segundo a investigação, o esquema utilizava a suspensão de contratos administrativos sob justificativa de contenção de despesas para pressionar fornecedores e obter vantagens indevidas. Durante o período analisado, a PF identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo saques em espécie realizados por servidores dentro da própria agência bancária localizada na sede do tribunal.
Alvos presos e afastamentos
A Justiça manteve as prisões de seis pessoas durante audiências de custódia realizadas em Cuiabá. Entre os detidos estão o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, além de servidores e assessores ligados à administração da instituição, como Roseli Loss, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
Com a prisão de Sérgio Ricardo, o vice-presidente Waldir Júlio Teis assumiu o comando do tribunal de forma interina. O STJ também determinou o afastamento das funções dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar.
Desdobramentos em Mato Grosso do Sul
No Estado de Mato Grosso do Sul, as equipes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão como parte do desdobramento da mesma investigação sobre contratos e fluxos financeiros do órgão fiscalizador mato-grossense.
Até o momento, a corporação não detalhou o número exato de endereços alvos das diligências em Campo Grande, a identidade de eventuais investigados locais ou quais materiais foram apreendidos na capital sul-mato-grossense.
