Fiscais de redes sociais e ‘corregedoria’ interna: os novos setores do PCC mapeados pela polícia
PCC e Comando Vermelho: pesquisadora de Oxford explica papel do Brasil no tráfico global de drogas
Veja entrevista com Annette Idler, diretora do Programa de Segurança Global da Universidade Oxford. Crédito: Malu Mões/Estadão
O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem 12 sintonias para administrar o crime e os bandidos no Brasil e no exterior, segundo investigação do Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo. “Sintonia” é o nome dado a setores do PCC responsáveis por determinada “missão” da facção no mundo do crime.
O trabalho dos policiais constatou que 61 dos cem integrantes da cúpula estão presos. O levantamento do Dipol aponta que há setores novos no PCC: a Sintonia da Internet e Redes Sociais e Setor do Raio X. Este último seria uma 13ª estrutura, que não teria o tamanho de uma sintonia. As informações foram divulgadas inicialmente pelo SBT News e foram confirmadas pelo Estadão.
Maior organização criminosa do País, o PCC fatura cerca de R$ 10 bilhões ao ano, conforme estimativas do Ministério Público de São Paulo. Entre as atividades, estão o narcotráfico internacional, com a logística de venda de drogas produzidas em países vizinhos da América do Sul para Europa, Ásia e África, além da infiltração em setores da economia e até a captura de contratos com o poder público.
As investigações apontam também que a facção está presente em pelo menos 28 países, incluindo até Turquia e Japão.
Saiba mais sobre eles abaixo.

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o PCC tem 12 sintonias em sua estrutura Foto: Divulgação/SSP
Sintonia da Internet e Redes Sociais
A Sintonia da Internet, aponta a investigação, “gerencia as comunicações online, coordenando contatos entre membros por aplicativos, redes sociais e e-mails criptografados”. O objetivo dessa ala é garantir a “segurança e discrição nas trocas de mensagens”.
A sintonia também fiscaliza o uso das redes sociais, controlando “o que circula dentro do grupo, ou seja, monitora publicações ou comunicações que possam expor a organização”. A sintonia oferece aos membros da facção “suporte digital e de informação”, funcionando, segundo o Dipol, como “núcleo técnico e de comunicação”.
De acordo com o Dipol, a nova sintonia teria como chefes os presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino. Eles responderiam diretamente à Sintonia Final, a cúpula da facção. O líder máximo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, hoje detento do sistema penitenciário federal. O Estadão não localizou a defesa desses investigados.
Setor do Raio X
Esta divisão é uma estrutura de fiscalização interna, espécie de corregedoria do PCC, responsável por fazer auditorias nas contas de cada setor da facção. Ela teria sido criada para, segundo o Dipol, “inspecionar, investigar e avaliar o comportamento dos integrantes da organização”.
Segundo o organograma da facção, esse setor seria chefiado por Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado, cuja defesa também não foi localizada.



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