×

Suporte emocional, abrigo, doações, buscas: como funciona o trabalho após a tragédia em Juiz de Fora

Suporte emocional, abrigo, doações, buscas: como funciona o trabalho após a tragédia em Juiz de Fora

JUIZ DE FORA – Em uma tenda montada ao lado de uma das áreas de buscas por desaparecidos em Juiz de Fora, Minas Gerais, um pastor evangélico distribui garrafas de água, consola moradores e, a cada corpo encontrado pelo Corpo de Bombeiros, puxa uma oração. Ao lado, voluntários se aglomeram com comida, roupas e doações, em uma corrente de solidariedade que se multiplica pela cidade da Zona da Mata mineira em meio às casas destruídas.

A linha de frente dos trabalhos é conduzida pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e pela Defesa Civil. São 93 bombeiros espalhados por Juiz de Fora e outros 50 em Ubá, que fica a cerca de 100 quilômeros, em um trabalho incessante desde segunda-feira, 23.

Os militares, no entanto, não estão sozinhos. O Estadão percorreu as principais áreas da tragédia durante quatro dias: abrigos, zonas de busca, área de desabamentos e cemitério. Em todos, voluntários de diferentes áreas, de veterinários a psicólogos, se revezam por horas a fio no acolhimento de vítimas e parentes.

Bombeiros: buscas por desaparecidos

O porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, tenente Henrique Barcellos, atua no bairro Parque Jardim Burnier, onde ao menos 12 casas foram soterradas e 21 pessoas já foram encontradas sem vida. O militar explica que o trabalho só é interrompido durante as fortes chuvas por segurança e é retomado em sequência.

“O trabalho de buscas por desaparecidos é feito pelo Corpo de Bombeiros, de maneira otimizada, sem interrupção desde o primeiro momento da crise. Os voluntários atuam em áreas pré-estabelecidas, em segurança, fora dos perímetros de risco”, explica o tenente.

Legendários: ‘auxiliamos os bombeiros’

No bairro Paineiras, o cabo Cristiano Santos Couto trabalha ao lado de voluntários do movimento Legendários, grupo cristão formado apenas por homens. Os Bombeiros atuam nesta sexta-feira, 27, na busca por um desaparecido em uma área de deslizamento. Os homens, com coletes laranjas, auxiliam no trabalho de remoção e transporte de materiais retirados dos escombros.

“Enquanto durar a operação, estaremos aqui. Aqui o terreno é muito íngreme. A maior dificuldade é que a chuva não para, né? Criou uma lâmina sobre a sobre a o terreno”, afirma o militar.

Um dos legendários explica o trabalho: “auxiliamos os bombeiros. Estamos com 20 pessoas”, diz Gustavo Aguiar, de 36 anos.

Religiosos: solidariedade e suporte emocional

Em meio à tragédia, ao lado de morros de lama, entulhos e pilhas de doações, igrejas evangélicas fazem um trabalho de acolhimento aos familiares. No Parque Burnier, o pastor André Milato não para. De um lado para o outro, o religioso se reveza entre a organização de alimentos e água e o suporte emocional às vítimas.

O trabalho só é interrompido para momentos de oração. Na quarta-feira, logo após mais um corpo ser retirados dos escombros, Milato fez uma corrente e pregou em solidariedade.

“Que Deus receba mais esse irmão e conforte o coração de todos os familiares”, diz, antes de puxar uma oração do Pai Nosso de mãos dadas com moradores.

A poucos metros, descendo uma das principais vias de acesso ao morro, uma igreja da Assembleia de Deus também serve de ponto de apoio. O altar é tomado por caixas de doações.

Bombeiros resgatam cachorro soterrado após fortes chuvas em Juiz de Fora

Chuvas que atingem a Zona da Mata mineira já deixaram mais de 60 mortos nas cidades de Juiz de Fora e Ubá. Crédito: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

Abrigo, doações, traslado de vítimas

O movimento de carros com doações na para na Escola Municipal Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim. Desde terça-feira, diretores, professores, agentes da prefeitura e voluntários preparam o local para receber parte dos mais de 3 mil desabrigados na cidade.

Na quarta-feira, militares do Exército utilizaram um dos caminhões da Força para remanejar vítimas de uma escola para outra. Criadora do jornal Fala, Linhares!, Josiana Barboza, conta que o trabalho de divulgação de pontos de abrigo, doações, e acolhimento, não para.

“Estamos desde segunda a noite trabalhando para orientar os moradores e auxiliando na distribuição de doações. É um cenário de muita tristeza. Aterrorizante. No meio disso tudo, uma corrente de solidariedade tem feito a diferença”, afirma Josiana.

Share this content:

Publicar comentário