Profissionais da saúde passam por treinamento para aplicar vacina contra chikungunya em Dourados
Equipes de enfermagem que vão participar da campanha de imunização contra a chikungunya, que começa na próxima segunda-feira (27), passaram por treinamento na tarde desta quinta-feira (23) para aplicação das doses.
Segundo a prefeitura, o preparatório tem o objetivo de instruir os profissionais para a identificação de pessoas impedidas de receber a dose e aplicar o imunobiológico de forma segura, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde. De acordo com a gerente do Núcleo de Imunização, Jéssica Andrade, o treinamento aborda pontos essenciais para garantir a segurança e eficácia da vacinação. Entre os temas estão as especificações da vacina, vias de administração, preparo e armazenamento, além de indicações, contraindicações, advertências e precauções.
A vacinação será destinada a pessoas com idade entre 18 e 59 anos. A meta do município é vacinar pelo menos 27% do público-alvo, o que representa cerca de 43 mil pessoas em Dourados. A estratégia faz parte de uma ação nacional que contempla aproximadamente 20 municípios em seis estados, selecionados com base em critérios epidemiológicos, risco de transmissão e capacidade operacional para implantação da vacina.
Além da vacinação disponível em todas as unidades de saúde, a Prefeitura promoverá uma ação especial no feriado do Dia do Trabalho, em 1º de maio. Um drive-thru será realizado no pátio da Prefeitura de Dourados, das 8h às 12h, ampliando o acesso da população ao imunizante.
Contraindicações
Vale ressaltar que, mesmo dentro da faixa etária estipulada, a vacina não deve ser aplicada em gestantes ou lactantes; pessoas em uso de medicamentos imunossupressores, como corticoides em altas doses; indivíduos com imunodeficiência congênita; pacientes em tratamento contra o câncer com quimioterapia ou radioterapia; transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea (há menos de dois anos); pessoas com HIV/Aids; ou com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide.
Também não é indicada para pessoas com duas ou mais comorbidades crônicas, como diabete, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia, doenças pulmonares, renais, hepáticas, obesidade (IMC acima de 30) ou câncer (em tratamento ou remissão).
Outras restrições incluem pessoas que tiveram Chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam com febre alta; que tenham recebido vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; ou vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.
Em 2026, Mato Grosso do Sul já registra 7.587 casos de chikungunya, entre confirmados e suspeitos. O número representa 54,3% de todos os 14.148 casos prováveis acumulados ao longo de 2025 — um avanço acelerado em menos de quatro meses, com epidemia da doença em 18 cidades do Estado.
Entre 2015 e 2024, a soma de todos os casos de chikungunya registrados no Estado foi de 7.143. Ou seja, o total de 2025 representa quase o dobro do registrado em uma década. No ano passado, os números da doença explodiram em Mato Grosso do Sul, tendência que se repete em 2026.
Agora, os registros de chikungunya superam os do ano passado, semana a semana. Para se ter uma ideia, em março de 2025, foram 2.143 casos prováveis, enquanto, no mesmo mês de 2026, o número saltou para 3.653. A alta foi de 70,4% neste período.
As mortes por chikungunya também batem recorde em 2026. Em Mato Grosso do Sul, 12 pessoas perderam a vida para a doença entre janeiro e abril deste ano — 70,6% do total de óbitos registrados em todo o ano passado, quando 17 sul-mato-grossenses morreram de chikungunya.
Os números foram publicados nesta quinta-feira (23), no Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, com dados atualizados até sábado (18). As informações de anos anteriores estão disponíveis nos boletins epidemiológicos da SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul).
Epicentro da chikungunya no país
Mato Grosso do Sul lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país, desde o início de 2026.
Com 259,4 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é mais de 17 vezes maior que a média nacional, de 15. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, seguido de Goiás (111,3), Rondônia (38,9), Minas Gerais (38,7), Mato Grosso (21), Tocantins (15,8) e Rio Grande do Norte (13,8).
Em todo o Brasil, são 19 mortes confirmadas, 12 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 63% das mortes estão concentradas no Estado.
Conforme a SES-MS, apenas uma das vítimas não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. Outras nove vítimas tinham mais de 60 anos e duas eram bebês. Os óbitos estão concentrados em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (1) e Fátima do Sul (1).
Além disso, o Brasil tem 31.909 casos prováveis de chikungunya, sendo 7.587 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 23,7% do total nacional de casos prováveis.
Dourados em calamidade
Conforme boletim epidemiológico municipal, a cidade tem 2.258 casos confirmados da doença e outros 1.406 em investigação nesta quinta-feira (23). Oito das 12 mortes registradas em Mato Grosso do Sul ocorreram em Dourados.
A explosão de casos começou pela Reserva Indígena de Dourados, onde sete pessoas morreram de chikungunya. No entanto, a partir do início de abril, a epidemia avançou para a área urbana, onde os casos concentram-se atualmente.
A doença pressiona o sistema de saúde da cidade. Nos últimos 15 dias, foram 449 atendimentos diários, em média. Antes da epidemia, a média era de 300 por dia. Além disso, 45 pessoas estão internadas com chikungunya na cidade.
Com o rápido espalhamento do vírus chikungunya pela zona urbana, a Prefeitura de Dourados decretou situação de calamidade em saúde pública na segunda-feira (20), devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.
Situação de emergência
Além de Dourados, Jardim e Itaporã decretaram situação de emergência em saúde pública por conta do avanço da doença.
Entre as medidas possibilitadas pelos decretos de situação de emergência em saúde pública, estão compras de insumos e medicamentos sem licitação e contratação temporária e simplificada de agentes de endemias. Em Jardim, o decreto permite até o ingresso forçado em imóveis com focos de Aedes aegypti.
Vacinação
A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O município recebeu 3 mil das 20 mil doses enviadas inicialmente e tem como meta imunizar 21,2% do público-alvo.
A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Dourados começa a imunização na segunda-feira (27).
No fim de março, o governo federal reconheceu situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.
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