Bitcoin cai abaixo de US$ 64 mil após ataques dos EUA e de Israel ao Irã
Bitcoin e outras criptomoedas caíram fortemente depois que os EUA e Israel começaram a atacar alvos no Irã no sábado, provocando ondas de choque em ativos de maior risco.
O bitcoin chegou a cair 3,8%, para US$ 63.038, antes de estabilizar e ser negociado perto de US$ 64.000 nas negociações da manhã deste sábado (28) em Nova York. O ether, o segundo maior token, recuou até 4,5%, para US$ 1.836. Aproximadamente US$ 128 bilhões em valor de mercado foram apagados no conjunto dos ativos digitais no impacto imediato da notícia, segundo dados do CoinGecko.
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Várias grandes explosões foram registradas em Teerã e, pouco depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, instou os iranianos a tomarem o controle do governo assim que a campanha militar chegar ao fim. Apenas algumas horas após o início da operação, o Irã lançou mísseis contra múltiplos locais — incluindo Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein — e ameaçou novos ataques contra bases ligadas aos EUA no Iraque.
“Embora os riscos de o conflito voltar a explodir estivessem no radar, dado o aumento de tropas dos EUA no Golfo, havia esperança de novas negociações — e a ação militar decisiva veio antes do que se esperava”, disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da Wealth Club, em nota no sábado. “Devemos ver mais uma corrida para ativos percebidos como porto seguro, como o ouro, à medida que investidores buscam proteger seu dinheiro, já que o rumo do conflito é tão imprevisível.”
No caso do bitcoin, as perdas do fim de semana estendem uma sequência de quedas que já dura meses no mercado cripto, iniciada com a liquidação de cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas em outubro. O bitcoin caiu em torno de 50% em relação ao pico histórico de mais de US$ 126.000 no começo daquele mês, sem conseguir acompanhar as altas do ouro e de outros ativos de refúgio.
“Como sempre, quando eventos críticos acontecem durante o fim de semana, o bitcoin faz o papel de válvula de pressão”, disse Justin d’Anethan, chefe de research da Arctic Digital, observando que o impacto inicial no token não foi tão drástico quanto alguns poderiam imaginar.
“Com boa parte da alavancagem já eliminada e com vendedores exaustos, há um limite para o quanto eventos macro podem mexer”, acrescentou. “Isso não quer dizer que o bitcoin não possa cair mais, apenas que grande parte da volatilidade já foi drenada.”
Enquanto isso, com os mercados tradicionais fechados, investidores de ativos digitais recorreram a commodities tokenizadas na exchange descentralizada Hyperliquid para se posicionar diante do risco geopolítico. Os preços de contratos atrelados a petróleo, ouro e prata dispararam na plataforma.
A reação também apareceu na forma de um forte aumento da pressão vendedora em derivativos de bitcoin: em apenas uma hora na manhã de sábado, o volume de vendas saltou cerca de US$ 1,8 bilhão, segundo uma análise publicada pela CryptoQuant.
“Esse tipo de desequilíbrio reflete clara dominância de vendedores e aumento da aversão ao risco no curto prazo”, escreveu o analista cripto Sylvain Olive. “Os fluxos são guiados mais por emoção e gestão de risco do que por uma dinâmica estrutural, o que exige uma abordagem cautelosa.”


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