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Como um cãozinho achou a taça Jules Rimet, 7dia s após seu roubo em 1966

Como um cãozinho achou a taça Jules Rimet, 7dia s após seu roubo em 1966

Quatro meses antes dos heróis de chuteiras serem aclamados nos gramados da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, um herói de quatro patas ganhou o noticiário mundial ao achar a taça Jules Rimet, sete dias após seu roubo em Londres.

Em 27 de março daquele ano, a honra inglesa foi resgatada por Pickles, um esperto e simpático vira-lata collie. A taça do principal torneio mundial de seleções de futebol foi encontrada embrulhada em jornal jogada no quintal de David Cobertt, dono do animal. Pickles a descobriu quando estava prestes a fazer seu passeio noturno.

Estadão – 29 de março de 1966

Enquanto Cobertt preparava a coleira, seu cão correu no quintal e logo parou. O comportamento chamou atenção do dono, que então abriu o pacote que o cãozinho cheirava.

“Foi o Pickles o herói dessa história toda, ele que viu a taça primeiro. Agora como prêmio, vou dar-lhe caviar uma vez por semana”, declarou o dono do cachorro.

A notícia foi capa do Jornal da Tarde de 28 de março de 1966. O cãozinho, alçado à fama, recebeu uma recompensa de 6.100 libras, compareceu à diferentes programas de TV, tornou-se garoto propaganda e até protagonista de um filme.

O roubo

A taça Jules Rimet fora roubada em Londres às vésperas da Copa do Mundo de 1966, em 20 de março. Ela estava exposta em uma vitrine como parte de uma exposição sobre selos, cujo tema era futebol.

Estadão – 22 de março de 1966

No final da manhã daquele dia, uma celebração religiosa em outra parte do prédio esvaziou o espaço onde a taça estava exposta. Aproveitando a oportunidade o ladrão, sem nenhuma dificuldade, arrombou a porta, entrou na sala, arrebentou o cadeado da vitrine e a levou.

O roubo foi uma vergonha para os ingleses. Além do mais a galeria de onde a taça foi roubada ficava a poucos metros da sede da polícia, a Scotland Yard.

O orgulho britânico sofreu um rude golpe – não é o primeiro, nem será provavelmente o último, neste século – com, o sensacional roubo da Taça “Jules Rimet”, quase em frente ao nariz da famosa “Scotland Yard”. Onde estão os seus implacáveis inspetores, os seus infalíveis detetives, cujas proezas vem fazendo, há quase um século, as delicias dos leitores de novelas policiais? O’ manes de Sherlock Holmes!

coluna do Estadão publicada na edição de 25/3/1966

Em 2018, Tom Pettifor, editor de jornalismo investigativo do jornal Dailly Mirror, identificou o ladrão do troféu como sendo Sidney Cugullere. No podcast Stealing Victory, ele relata as informações levantadas na investigação.

Anos depois, em 1983, a taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF, no centro do Rio de Janeiro. Até hoje não foi encontrada.

Estadão – 21 de dezembro de 1966

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