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Ancelotti pede para seleção manter criatividade e alegria – 13/05/2026 – Esporte

Ancelotti pede para seleção manter criatividade e alegria – 13/05/2026 – Esporte

Carlo Ancelotti já viu troféus, acessos de raiva e revoluções táticas suficientes para saber que o problema do Brasil na Copa do Mundo não é falta de talento —é o que acontece quando esse talento começa a tratar cada passe errado como uma emergência nacional.

A menos de um mês do início da Copa do Mundo, o italiano disse que o Brasil precisa aprender a transformar pressão em combustível, enquanto os pentacampeões tentam encerrar uma espera de 24 anos para erguer o troféu novamente.

“O que eu percebi este ano, para ser honesto, é que há muita pressão; há muita pressão sobre os jogadores”, disse Ancelotti à Reuters em entrevista na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no Rio de Janeiro, na terça-feira (12).

“Acho que os jogadores também colocam muita pressão em si mesmos, às vezes até demais. Então, a pressão e a preocupação superam a alegria, a energia e a criatividade dos brasileiros.”

As eliminações recentes do Brasil em Copas do Mundo frequentemente foram analisadas tanto pela fragilidade emocional quanto por falhas táticas, e Ancelotti disse ter visto sinais desse fardo até em amistosos.

“Eu vi isso em alguns amistosos… um erro de um companheiro de equipe em um jogo amistoso parece uma tragédia”, disse ele.

“Precisamos estabelecer uma rotina para evitar tudo isso, porque a pressão é obviamente um fator muito importante. Gerenciar bem a pressão significa ter mais motivação e mais camaradagem, porque você pode compartilhar a pressão. Assim, ela pesa menos.”

Para Ancelotti, o antídoto não é drenar o Brasil de sua identidade, mas dar a ela uma estrutura sólida o suficiente para sobreviver à intensidade do futebol moderno. A velha questão —o Brasil deve entreter ou simplesmente vencer?— não é algo que ele aceita como uma escolha.

“O que os jogadores brasileiros e o futebol brasileiro não podem perder é sua maior qualidade: criatividade, alegria e energia”, disse ele.

Energia de carnaval

Ancelotti disse que encontrou a versão mais clara do que deseja para o Brasil não em um campo de futebol, mas no Carnaval.

Este ano foi meu primeiro Carnaval aqui“, disse ele. “Notei muita alegria, muita energia, porque as pessoas dançavam até o sol nascer, mas também um grande comprometimento de todos em uma festa popular da qual todos se sentem parte”, afirmou o italiano.

“Se você for assistir ao desfile aqui no Rio, tudo é perfeitamente organizado —o ritmo, a música, tudo é perfeito. Essas são características do povo brasileiro que vi no Carnaval e que quero trazer para a seleção: a alegria, a energia, a organização, o comprometimento, a atitude”, acrescentou ele.

O treinador rejeitou a ideia de que o Brasil perdeu sua aura, dizendo que a mística futebolística construída ao longo de gerações não poderia desaparecer por causa de decepções recentes.

“O Brasil tem algo especial, e sempre terá”, disse ele. “O Brasil tem, e sempre teve, a capacidade de produzir grandes talentos. Mesmo agora, este país produz mais talentos do que outros países.”

No entanto, Ancelotti disse que o Brasil tem sido mais lento do que algumas nações para se adaptar a um jogo cada vez mais moldado por intensidade, estrutura e trabalho coletivo.

“O Brasil tem as mesmas qualidades de sempre, mas você precisa apoiar essa criatividade com organização, comprometimento e atitude”, disse ele.

“Talento é importante, mas para vencer o talento, é preciso organização. E sim, vamos fazer acontecer, porque organização se ensina, mas talento não.”

Ancelotti também ofereceu sua própria definição de “jogo bonito”.

“Pode ser um lance de habilidade, pode ser trabalho em equipe, um comprometimento coletivo, uma atitude de equipe espetacular quando se está com a posse de bola, e todos se esforçando ao máximo”, disse ele com um brilho nos olhos.

O Brasil pode não chegar como favorito, mas Ancelotti disse estar confortável com isso.

“Gosto disso”, disse ele sobre o Brasil ser visto como azarão. “Acho que é uma Copa do Mundo em que não há um favorito claro, porque cada time tem seus problemas. Não existe time perfeito. Acredito que o time mais resiliente vencerá a Copa do Mundo.”

E se o Brasil quiser recuperar qualquer status que possa ter perdido, Ancelotti tem a resposta: “Só existe uma maneira de recuperar a hierarquia no futebol, e é vencer a Copa do Mundo.”

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