Seleção afegã será símbolo de resistência, diz ex-capitã – 29/04/2026 – Esporte
As jogadoras de futebol afegãs poderão mostrar suas habilidades ao mundo depois que a Fifa (Federação Internacional de Futebol) abriu o caminho para seu retorno às competições internacionais.
A ex-capitã Khalida Popal afirmou que a equipe será um símbolo de resistência para aquelas que enfrentam dificuldades em seu país.
Na quarta-feira (28), a Fifa anunciou que a seleção feminia afegã poderá retomar a participação em competições internacionais, incluindo as atletas que fazem parte da equipe de refugiadas do país.
A seleção não disputa uma partida internacional oficial desde antes da retomada do poder pelo Talibã em 2021. As autoridades talibãs impuseram restrições severas a mulheres e meninas, incluindo restrições que afetam a educação, o trabalho e o esporte, forçando muitas atletas a fugir do país ou abandonar as competições.
Antes da tomada do poder pelo Talibã, o Afeganistão tinha 25 jogadoras sob contrato, a maioria das quais agora vive na Austrália.
“Nossa equipe sempre foi conhecida como uma equipe ativista”, disse Popal, fundadora da equipe, à Reuters.
“Mas esta oportunidade, com o apoio adequado da Fifa, será o momento para também mostrarmos algumas habilidades e desenvolvermos jovens talentos na diáspora. A seleção será um símbolo de resiliência. Sei que vai ser difícil porque as mulheres afegãs dentro do Afeganistão terão dificuldades para fazer parte disso”, acrescentou Popal.
“Mas se pudermos continuar sendo a voz delas, enviando mensagens de esperança e mostrando nosso apoio, que elas não foram esquecidas, então continuaremos usando nossa plataforma.”
A seleção feminina do Afeganistão está atualmente passando por processo de seleção, com a Fifa realizando estágios regionais na Inglaterra e na Austrália. A equipe deve retornar aos gramados em junho, com adversários e locais ainda a serem confirmados.
Embora o Afeganistão não seja elegível para se classificar para a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, ainda poderá competir nas eliminatórias para as Olimpíadas de Los Angeles de 2028.
“Independentemente de quanta defesa façamos externamente, quando se trata de futebol, é em campo que tudo se decide. Por isso, também queremos ser uma equipe competitiva para mostrar um bom futebol”, disse Popal.
Andrea Florence, diretora executiva da Aliança Esporte e Direitos, afirmou que a decisão de permitir que o Afeganistão competisse vai além do esporte.
“Essa decisão da Fifa é fundamental para garantir que todas as Associações Membro cumpram suas responsabilidades com relação à igualdade de gênero e aos direitos humanos”, disse ela.
“Trata-se de enviar uma mensagem de que nenhum governo deve ter o poder de apagar as mulheres da vida pública.”



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