Servidores públicos de Mato Grosso do Sul protestam contra reajuste de 3,81% e acumulam perdas salariais
Campo Grande (MS) — A aprovação do reajuste salarial de 3,81% para cerca de 86 mil servidores públicos estaduais de Mato Grosso do Sul intensificou a revolta das categorias, que agora apontam não apenas a insuficiência do índice, mas também o acúmulo de perdas inflacionárias nos últimos anos.
O aumento, proposto pelo governador Eduardo Riedel e aprovado pela maioria dos deputados estaduais, passa a valer a partir de abril de 2026 e contempla servidores ativos, inativos e pensionistas de todos os poderes.
📊 Inflação x reajuste: o tamanho da perda
De acordo com dados do IPCA:
- Inflação de 2024: aproximadamente 4,62%
- Inflação acumulada de 2025 (até início de 2026): cerca de 4,5%

➡️ Inflação acumulada aproximada (2024 + 2025): 9,1%
Com isso, ao aplicar um reajuste de apenas 3,81%, o funcionalismo estadual acumula uma perda real estimada de cerca de 5,3% no período recente.
💸 Impacto direto no bolso
Na prática, isso significa:
- Um servidor que deveria ter um reajuste de 9,1% para manter o poder de compra
- Resultando em uma defasagem salarial significativa
👉 Exemplo prático:
Um salário de R$ 5.000, corrigido corretamente pela inflação, deveria estar em torno de R$ 5.455.
Com o reajuste aplicado, passa para apenas R$ 5.190.
Perda mensal aproximada: R$ 265
Perda anual: mais de R$ 3.000
Votação na Assembleia

O projeto foi aprovado com 13 votos favoráveis e 3 contrários, evidenciando o apoio da base governista.
Votaram a favor:
Jamilson Name, Roberto Hashioka, Rinaldo Modesto, Pedro Caravina, Mara Caseiro, Paulo Duarte, Coronel David, Londres Machado, Márcio Fernandes, Pedro Kemp, Lia Nogueira, Lidio Lopes e Neno Razuk.
Votaram contra:
Zeca do PT, Gleice Jane e João Henrique Catan.
Durante a tramitação, o deputado João Henrique Catan tentou elevar o reajuste para cerca de 7,79%, mas a proposta foi rejeitada.
Servidores e sindicatos afirmam que o índice aprovado não recompõe as perdas acumuladas e representa, na prática, empobrecimento do funcionalismo.
“O governo chama de reposição, mas é perda. O servidor está ficando para trás enquanto tudo aumenta”, afirmou um representante sindical.
Além disso, críticas também recaem sobre os deputados que aprovaram o projeto, acusados de ignorar a realidade enfrentada pelos trabalhadores públicos.
Consequências econômicas
Especialistas alertam que a perda salarial não afeta apenas os servidores, mas toda a economia local, reduzindo o consumo e impactando o comércio.

Com o aumento já sancionado, cresce a mobilização das categorias em Mato Grosso do Sul. Assembleias e protestos estão sendo organizados, e a possibilidade de greve ganha força.
O cenário é de pressão crescente sobre o governo e o Legislativo, com os servidores exigindo recomposição salarial real e valorização profissional.
Fica a pergunta:
Esse aumento pífio é sinal de que?
Estado quebrado?
Ou
só maldade do governo mesmo?


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