Após 7 mortes, Força Nacional do SUS deixa Dourados em meio à epidemia de chikungunya
Os 40 agentes completam um mês de atuação na cidade nesta sexta (17), quando sairão de Dourados, mesmo com a epidemia em ascensão
A Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) vai abandonar Dourados, cidade a 225 quilômetros de Campo Grande, nesta sexta-feira (17). O programa atua para responder a situações de emergência em saúde pública, no caso, a epidemia de chikungunya, que já matou sete indígenas e infectou 3,6 mil na cidade.
A Força Nacional do SUS chegou à cidade em 17 de março, ou seja, ficará exatamente um mês em Dourados. O programa mobiliza 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e psicólogos. Até dia 4 de abril, eles atenderam mais de 1,4 mil pessoas na Reserva Indígena, removeram 96 pessoas para hospitais e visitaram 250 domicílios, conforme o Ministério da Saúde.
As aldeias Bororó e Jaguapiru são as principais áreas impactadas pela epidemia, com 2 mil casos prováveis de chikungunya, que geraram 399 atendimentos em hospitais. “Deveria ficar mais um tempo, até que diminuísse o índice [de casos]“, opina o cacique Vilmar Machado, da Aldeia Jaguapiru.
A Prefeitura de Dourados afirma que a saída da Força Nacional do SUS foi confirmada ao Conselho Municipal de Saúde, que é órgão deliberativo e vai debater essa questão nesta quarta-feira (15). “A Prefeitura de Dourados não vai se manifestar sobre a decisão do Governo Federal”, conclui a nota da administração.
O Ministério da Saúde não respondeu às solicitações da reportagem. O espaço segue aberto.
Epidemia avança
O governo federal e o município decretaram emergência sanitária em Dourados, que segue em vigor. A cidade recebeu mais de 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya.
A epidemia só acelera desde fevereiro, mas o número de casos prováveis se inverteu entre aldeias e áreas não indígenas. No período entre 22 e 28 de março, foram 149 casos entre pessoas não indígenas e 767 casos na Reserva. Nos sete dias seguintes, houve 704 registros fora das aldeias e 427 entre os indígenas.
Conforme boletim epidemiológico divulgado na terça-feira (14), Dourados tem 3.681 casos prováveis de chikungunya, além de sete mortes confirmadas e outras três em investigação.
A taxa de positividade segue alta, em 6,86%. Além disso, 40 pessoas seguem internadas com sintomas de chikungunya em Dourados.
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul registrou 1.042 casos prováveis de chikungunya apenas na última semana, e Dourados confirmou a sétima morte causada pelo vírus na cidade, nesta terça-feira (14). Assim, o número de óbitos no Estado sobe para 11, e o total de casos prováveis chega a 5.256, segundo dados do Ministério da Saúde.
Com 179,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 14 vezes maior que a média nacional, de 12,7. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (101,9), Rondônia (33,9), Minas Gerais (33,4), Mato Grosso (19,2), Tocantins (17,7) e Rio Grande do Norte (12,7).
Em todo o Brasil, são 18 mortes confirmadas e 11 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 61% das mortes estão concentradas no Estado.
Além disso, o Brasil tem 27.124 casos prováveis de chikungunya, sendo 5.256 delas no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 19,37% do total nacional de casos prováveis.
Como me proteger?
Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:
- Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
- Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
- Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
- Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
- Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
- Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
- Amarre bem os sacos de lixo;
- Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
- Não acumule sucata e entulho;
- Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
- Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
- Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
- Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras.
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)



Publicar comentário