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As duas grandes muralhas florestais e o bambu para conservar o solo

Iniciativas históricas de reflorestamento nos Estados Unidos e na China demonstram a importância de cortinas de proteção vegetal e técnicas inovadoras para combater a erosão e a degradação dos solos.

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As duas grandes muralhas florestais e o bambu para conservar o solo

A história dos grandes processos de reflorestação no mundo ganhou impulso marcante na década de 1930, quando os Estados Unidos plantaram 220 milhões de árvores em resposta a um dos piores desastres ambientais de sua história. Na ocasião, as chamadas ‘Grandes Planícies’ norte-americanas foram açoitadas por secas severas e ventos intensos que destruíram a fina camada superior do solo, gerando prejuízos severos para a agricultura e a pecuária, um cenário que guarda semelhanças com os desafios enfrentados atualmente pelo Pantanal brasileiro.

Para conter o avanço da degradação, o governo norte-americano implementou um amplo programa de plantio de árvores que resultou em cortinas de proteção erguidas desde o Texas até o Canadá. Mesmo após mais de oito décadas, muitas dessas fileiras protetoras continuam de pé, cumprindo o propósito original de reduzir a velocidade dos ventos, evitar a erosão e preservar a umidade nas terras cultiváveis.

Décadas mais tarde, em 1978, a China deu início àquele que é considerado o projeto ambiental mais ambicioso da história: a criação da Grande Muralha Verde. A iniciativa monumental consistiu no plantio de 66 bilhões de árvores com o objetivo principal de conter a expansão dos desertos de Gobi e Taklamakan, localizados no norte do país e na fronteira com a Mongólia.

Inicialmente, o projeto selecionou espécies de rápido crescimento e alta resistência, como artemísia, salgueiro e álamo. Com o passar do tempo, cientistas constataram que florestas plantadas com poucas espécies funcionam de maneira eficiente na captação de CO2 por cerca de 30 anos, período após o qual ocorre um decréscimo nessa capacidade, além da necessidade de monitorar quais espécies consomem recursos hídricos em excesso.

Diante desses aprendizados, a China passou a diversificar o manejo, substituindo milhões de exemplares iniciais por espécies como ameixeiras e ginkgo. Além das árvores, o país utilizou historicamente a técnica de ‘quadrículas ou redes de palha’, consistindo em estruturas retangulares enterradas no solo para frear o vento e fixar as raízes de outras plantas.

Contudo, devido à rápida degradação da palha em poucos anos, cientistas chineses passaram a adotar o bambu processado como base para a nova geração de conservação do solo. Diferente da palha tradicional, as estruturas de fibras ou varas de bambu oferecem alta resistência sem a necessidade de serem enterradas na terra, facilitando a manutenção de terrenos de plantas nativas, plantadas e pastagens.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano