Os empregados da Caixa Econômica Federal decidiram rejeitar a proposta final apresentada pela instituição financeira e optaram por manter a greve nacional, iniciada na última quinta-feira. Com a decisão, a paralisação segue por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais e os representantes dos trabalhadores buscam alternativas para retomar as negociações.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o descontentamento ficou evidente nas urnas: 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia que teve o encerramento registrado às 23h da última sexta-feira. O principal ponto de divergência que motivou o veto coletivo é o Saúde Caixa, plano de assistência médica oferecido aos funcionários, que previa modificações sensíveis no modelo de custeio e nas regras de coparticipação.
Antes mesmo da conclusão da votação, a diretoria do banco público havia classificado a oferta como definitiva, sinalizando a possibilidade de recorrer à Justiça do Trabalho caso o texto fosse rejeitado. Diante do impasse, a instituição avalia o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento jurídico utilizado para que a Justiça do Trabalho estabeleça as condições necessárias para solucionar o conflito de interesses entre empregados e empregador.
A paralisação teve início na quinta-feira, logo após a rejeição de uma oferta anterior destinada à renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Dados divulgados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro indicavam que mais de 90% das bases sindicais haviam reprovado o texto preliminar. Como reflexo do movimento, diversas agências amanheceram de portas fechadas em regiões como São Paulo e Paraná, embora os terminais de autoatendimento tenham permanecido operacionais.
Entre os pontos que constavam na proposta rechaçada estavam o pagamento de um prêmio individual de R$ 3 mil, a liberação de valores salariais reajustados, o acerto da Participação nos Lucros e Resultados, além de ajustes no custeio e na antecipação de parcelas futuras. No entanto, as novas diretrizes para o plano de saúde impunham cobranças adicionais por dependentes, elevação no teto anual de coparticipação e novas mensalidades, fatores decisivos para a mobilização da categoria.
Enquanto a greve persiste na Caixa Econômica Federal, a realidade no Banco do Brasil apresentou um cenário distinto. A maioria dos sindicatos vinculados ao BB aprovou a proposta oferecida pela instituição e os funcionários retornaram às atividades normalmente. A paralisação no Banco do Brasil ficou restrita a dezoito bases sindicais onde os trabalhadores decidiram dar continuidade ao movimento.
Diante do fechamento de unidades físicas, a direção da Caixa orienta os clientes a priorizarem canais digitais de atendimento, como o aplicativo oficial do banco, o Internet Banking, o Caixa Tem e plataformas de atendimento telefônico. A rede lotérica e os correspondentes bancários também continuam operando como alternativas para transações essenciais durante o período de greve.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
