O Conselho de Supervisão da Meta emitiu um comunicado oficial para solicitar à gigante de tecnologia que mantenha o seu programa tradicional de verificação de fatos conduzido por jornalistas profissionais. A manifestação ocorre após a empresa anunciar planos de implementar o sistema de “notas da comunidade” em 16 países da América Latina.
De acordo com o conselho, os dois métodos de moderação e análise de conteúdo possuem propósitos distintos e devem atuar de forma complementar, em vez de estabelecer uma substituição direta. Os conselheiros alertam que o modelo baseado em colaboração em massa pode ser manipulado ou gerar efeitos contraproducentes, especialmente em nações marcadas por forte polarização política ou em regimes repressivos.
A controvérsia ganhou força depois que a companhia liderada por Mark Zuckerberg informou o início dos testes das notas colaborativas na região latino-americana. A medida segue uma diretriz semelhante adotada anteriormente nos Estados Unidos, onde a empresa encerrou o programa de checagem profissional pouco antes do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca, adotando um modelo similar ao utilizado pela plataforma X.
O sistema de notas da comunidade permite que usuários que cumpram requisitos específicos — como idade mínima e histórico sem infrações nas diretrizes da plataforma — avaliem postagens e adicionem contextos. No entanto, especialistas e o próprio conselho temem que a ferramenta falhe em conter ondas massivas de desinformação, que costumam ser intensificadas por estratégias digitais de lideranças políticas regionais.
O comunicado sublinha que, embora as notas possam estimular o debate público, os riscos associados a danos reais no mundo físico e à violência política exigem cautela redobrada. O conselho recomendou que qualquer transição definitiva seja precedida por uma avaliação rigorosa dos riscos específicos em cada território afetado pela mudança.
A lista de países alvos da fase de testes engloba nações como Argentina, Colômbia, México, Peru e Venezuela, entre outras da região. Curiosamente, o Brasil ficou de fora desta etapa inicial, mesmo sendo o maior mercado da empresa na América Latina e se preparando para o período de eleições presidenciais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
