A Fundação do Câncer lançou a 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, trazendo um alerta importante sobre um tipo de neoplasia maligna menos frequente, porém altamente agressiva: o melanoma extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que a doença tem origem nas células produtoras de melanina, os melanócitos, podendo se manifestar em regiões como os olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.
Segundo o levantamento, que integra dados do sistema hospitalar de oncologia via plataforma info.oncollect, esse subtipo tumoral apresenta maior probabilidade de provocar metástase, espalhando-se rapidamente para tecidos e órgãos vizinhos. Especialistas reforçam que conhecer as diferentes formas de manifestação da doença é o primeiro passo para o enfrentamento, permitindo diagnósticos mais precoces, melhor planejamento dos serviços de saúde e a formulação de políticas públicas mais assertivas.
O estudo aponta que, no Brasil, o tratamento padrão pelo Sistema Único de Saúde (SUS) envolve cirurgia da lesão primária e remoção dos linfonodos afetados. Entre 2014 e 2023, o procedimento cirúrgico foi a conduta inicial predominante em todas as regiões, liderada pelo Sudeste. No entanto, o Centro-Oeste registrou o maior índice de deslocamento de pacientes em busca de atendimento oncológico, evidenciando gargalos no acesso à assistência especializada regional.
No campo farmacológico, avanços recentes como a incorporação de imunoterapias — a exemplo de medicamentos da classe anti-PD-1 — elevaram expressivamente a taxa de resposta e a sobrevida de pacientes em estágios avançados. Contudo, especialistas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e da própria fundação ponderam que, para os melanomas extracutâneos, as evidências de eficácia com imunoterapia ainda são limitadas e o custo elevado permanece como uma barreira significativa para o acesso oportuno no SUS.
Para contornar o entrave financeiro, o Ministério da Saúde discute alterações no marco legal da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), articulando a compra centralizada e o fortalecimento da produção nacional por meio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). O objetivo é garantir a sustentabilidade do sistema e viabilizar o repasse dessas tecnologias de ponta para as unidades de alta complexidade.
Os dados epidemiológicos detalhados no boletim mostram que, de um total de 42.255 registros analisados, 92,2% correspondiam a melanomas cutâneos, enquanto 5,7% eram oculares e 2,5% de mucosa. Especificamente nos casos oculares, a doença pode permanecer assintomática no início, gerando diagnósticos tardios motivados apenas por sintomas inespecíficos. Para este ano, o Inca estima a ocorrência de 9.360 novos casos de melanoma de pele no país, reforçando a urgência de campanhas contínuas de conscientização e prevenção.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
