O governo do presidente Abelardo de la Espriella provocou uma ampla onda de indignação entre setores rurais e oposição política na Colômbia ao anunciar a eliminação da palavra ‘camponês’ do vocabulário oficial da gestão. A medida prevê a substituição do termo por expressões como ‘pequenos empresários do campo’ e ‘pequenos agricultores’.
A alteração foi anunciada pelo ministro da Agricultura, Indalecio Dangond, durante pronunciamento perante as comissões econômicas do Congresso. Na ocasião, o ministro argumentou que a nomenclatura anterior possui caráter pejorativo e que a mudança busca elevar o status institucional daqueles que produzem os alimentos no país sul-americano.
A decisão gerou reações imediatas de parlamentares e autoridades locais. Críticos apontaram que a medida desconsidera o histórico de violência, exclusão e desapossamento sofrido historicamente pelas populações rurais colombianas, além de ignorar o reconhecimento constitucional do campesinato como sujeito de direitos e proteção especial.
Diante da repercussão negativa, o Ministério da Agricultura emitiu um comunicado detalhando que ‘camponês’ e ‘produtor agrícola’ possuem acepções distintas. Enquanto o primeiro estaria associado a uma condição social e territorial restrita, a nova categoria abrangeria desde pequenos agricultores até grandes corporações do agronegócio.
Especialistas e entidades do setor agropecuário também questionaram o impacto prático da medida na formulação de políticas públicas e na alocação de recursos federais. Para analistas, a exclusão conceitual pode esvaziar o debate orçamentário voltado para as populações tradicionais e a agricultura familiar no país.
O debate sobre a ressignificação do termo remete a discussões internacionais prévias, como as travadas no âmbito da Organização das Nações Unidas. Movimentos sociais e organizações campesinas na Colômbia reforçam que a identidade e os direitos específicos do setor devem ser preservados e protegidos por meio de políticas públicas efetivas e investimentos estruturais no campo.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
