A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira foi classificada como “vergonhosa” pelos próprios ministros da Corte, evidenciando o momento de crise mais aguda vivida pelo tribunal nos últimos tempos. O encontro ocorreu exatamente um ano e quatro dias depois da data que marcou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados por tentativa de golpe de Estado, consolidada em 11 de setembro de 2025.
Um dos protagonistas desses dois momentos marcantes da história recente do país, o ministro Alexandre de Moraes atuou como relator dos processos da trama golpista e tentou conectar os dois cenários durante os debates. Em um duro bate-boca com o ministro André Mendonça, Moraes acusou o colega de tribunal de atuar a serviço de um grupo político que tentou promover um golpe no Brasil.
A tensão entre os magistrados já havia se manifestado formalmente em uma manifestação enviada por Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira. Na ocasião, o relator afirmou que Mendonça agiria motivado por interesses político-eleitorais e por sentimentos de “vingança”, acusações que são veementemente refutadas pelo próprio Mendonça, ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União indicado por Bolsonaro para a Corte.
O epicentro da atual discussão no plenário envolve a validade de um relatório da Polícia Federal que aponta mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de encontros presenciais e um contrato milionário entre a instituição financeira e o escritório da esposa do ministro. O sigilo do documento foi retirado por André Mendonça, que atualmente relata o caso Master no STF.
A sessão extraordinária, no entanto, acabou sendo suspensa sem uma definição concreta sobre a abertura de uma investigação contra Moraes, após o ministro Flávio Dino apresentar um pedido de vista. O prazo regimental para análise é de até 90 dias corridos, período após o qual o processo retorna automaticamente para a pauta caso não haja manifestação anterior.
Enquanto o tribunal lida com esse inédito escândalo envolvendo a conduta de um de seus próprios ministros, o contexto histórico recente permanece vivo na memória institucional. Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tornando-o o primeiro ex-presidente do país a sofrer tal condenação.
Fonte: g1.globo.com
