O candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil) rebateu a suspeita de que trabalhadores fossem submetidos a condições análogas à escravidão em sua fazenda, localizada em Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai. A propriedade foi alvo de uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego nesta quinta-feira (17).
Em sua defesa, Bernardo afirmou que a fazenda mantém entre 20 e 30 trabalhadores e oferece refeições completas diariamente, incluindo café da manhã, almoço, lanche e jantar. Segundo ele, duas funcionárias são contratadas exclusivamente para o preparo dos alimentos e para a limpeza da cozinha e da propriedade, o que justificaria sua declaração de que os empregados não precisariam realizar essas tarefas.
A operação policial foi deflagrada para apurar denúncias de submissão de trabalhadores a condições degradantes e possível tráfico de pessoas para exploração de mão de obra. Durante as buscas, as autoridades encontradas 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular, sendo parte deles de nacionalidade estrangeira, além de apreenderem 14 armas de fogo com numeração suprimida.
As investigações iniciais apontaram que estrangeiros estariam sendo recrutados de maneira informal e mantidos em situação de vulnerabilidade, enfrentando problemas como falta de registro trabalhista formal, possível retenção de pagamentos e restrições à liberdade de circulação para deixar a fazenda.
Carlos Bernardo alegou que os trabalhadores estrangeiros residem na faixa de fronteira e transitam com facilidade entre o Brasil e o Paraguai, justificando que alguns recusariam o registro formal ou careceriam da documentação exigida. No entanto, órgãos de fiscalização ressaltam que a informalidade não exime o empregador das obrigações previstas pela legislação trabalhista brasileira.
Sobre o armamento apreendido na propriedade rural, o candidato declarou que nenhuma das 14 armas de grosso calibre lhe pertence e que não possui controle sobre objetos mantidos por terceiros no local. Ele argumentou que a fazenda fica a cerca de 40 quilômetros da zona urbana, em uma região isolada e considerada perigosa, e atribuiu a denúncia a uma possível perseguição política, embora não tenha apresentado provas materiais.
Fonte: www.campograndenews.com.br
