Enquanto as discussões sobre a preservação da Amazônia frequentemente concentram os radares apenas no desmatamento e no corte raso, um estudo científico recente traz à tona um problema igualmente grave e que costuma receber menos atenção: a degradação florestal. A pesquisa, divulgada na revista Science, aponta que combater esse empobrecimento da mata pode ser altamente vantajoso em termos de custo-benefício para o país.
O trabalho acadêmico foi liderado por Leonardo Miranda, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, contando com a participação de diversos coautores brasileiros. A investigação baseou-se na análise de dados de satélite cobrindo uma área de 30 mil quilômetros quadrados, além de entrevistas realizadas com proprietários de terras em regiões estratégicas do Pará, como Santarém e Paragominas.
A partir dos cenários simulados pelos pesquisadores, foi possível comparar os custos e os benefícios de três principais frentes de atuação: o desmatamento evitado, a prevenção da degradação e a restauração de áreas afetadas. Os resultados indicaram que a prevenção da degradação apresenta um desempenho ambiental formidável, ficando atrás apenas quando combinada diretamente com o desmatamento evitado, enquanto a restauração se mostrou a alternativa mais onerosa e com menores retornos práticos.
O conceito de degradação florestal abrange o empobrecimento da vegetação causado pela extração de madeira sem critérios técnicos de manejo, abertura clandestina de estradas e a propagação de incêndios e fogo rasteiro. Segundo os dados levantados, evitar o corte raso reduz expressivamente as emissões de gases do efeito estufa, ao passo que impedir a degradação desempenha um papel fundamental na proteção direta da biodiversidade local.
Incluindo na equação os custos de oportunidade dos proprietários de terras e os investimentos necessários para conter o avanço do fogo ou recuperar áreas danificadas, as estratégias de prevenção continuam superando amplamente as iniciativas focadas apenas na restauração posterior. Especialistas reforçam que políticas públicas consistentes e brigadas estruturadas são essenciais para transformar o manejo do fogo em uma capacidade permanente de resposta rápida.
A retomada e o fortalecimento de estruturas governamentais de controle têm se mostrado fundamentais para reverter tendências de alta na destruição ambiental. O desafio atual reside em consolidar essas barreiras preventivas para assegurar que pequenos focos de incêndio ou explorações predatórias não se transformem em grandes catástrofes ecológicas na região amazônica.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
