O salário mínimo e as aposentadorias contam com regras de reajuste voltadas a preservar o poder de compra da população diante da inflação. No entanto, propostas de mudança nas regras de indexação geram preocupações sobre o futuro desses valores caso deixem de acompanhar automaticamente a inflação ou o piso nacional. Segundo o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), as despesas com aposentadorias e benefícios devem alcançar R$ 1,218 trilhão em 2027, representando uma alta de 7,92% em relação à previsão para 2026 e impactando as contas públicas.
Na eleição de 2026, os planos de governo dos candidatos à Presidência apresentam diversas visões sobre o reajuste do salário mínimo, dos benefícios previdenciários e sobre o futuro da Previdência Social. O debate envolve a manutenção ou a alteração de mecanismos de indexação, a possibilidade de desvincular benefícios do salário mínimo e novas regras previdenciárias. Desindexar significa deixar de vincular automaticamente o reajuste de um benefício a outro indicador, permitindo regras próprias ou decisões anuais do governo e do Congresso.
Entre os postulantes ao cargo, o presidente Lula (PT), que disputa a reeleição, propõe manter a regra de reajustes do salário mínimo com aumentos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Em relação às aposentadorias, ele pretende diversificar as fontes de custeio e regulamentar a contribuição previdenciária no trabalho mediado por aplicativos. Já Flávio Bolsonaro (PL) propõe a digitalização de processos, um pacote antifraude na Previdência e blindar os fundos de pensão das estatais contra indicações políticas, sem esclarecer em entrevista se manterá a vinculação dos benefícios ao salário mínimo.
Outros candidatos também detalham medidas econômicas. Augusto Cury (Avante) afirmou que garantirá a reposição da inflação mais 1% ao ano para o salário mínimo. Ronaldo Caiado (PSD) defende a manutenção da regra atual de reajuste com base na inflação e no crescimento da economia. Por outro lado, Renan Santos (Missão) propõe uma “PEC do Equilíbrio Fiscal” para desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, corrigindo-os exclusivamente pelo IPCA, além de apontar a necessidade de uma nova reforma da Previdência.
Romeu Zema (Novo) defende uma reforma da Previdência definitiva e um mecanismo de reajuste automático da idade mínima com base na expectativa de vida, garantindo a inflação no salário mínimo, mas sem se comprometer com aumento real. Candidatos da esquerda como Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) defendem aumentos expressivos no salário mínimo rumo ao valor calculado pelo Dieese — que era de R$ 7.565,86 em agosto — e a revogação de reformas anteriores, como a da Previdência e a trabalhista.
Por fim, propostas adicionais incluem a de Wilson Grassi (Democrata), que sugere que a faixa de isenção do Imposto de Renda suba com o ganho real do salário mínimo e a substituição da contribuição patronal por um Imposto Único Federal. Leonardo Avalanche (PRTB) propõe criar um imposto único de 3,5% para substituir vários tributos, incluindo o INSS, enquanto Clariana Barão (DC) não traz menções específicas à desindexação em seu plano de governo.
Fonte: g1.globo.com
