Refletir sobre a violência de gênero é fundamental para desarraigar-se das raízes históricas da masculinidade hegemônica e estimular os direitos humanos, ao apoiar políticas públicas que assegurem uma sociedade mais justa e segura para o sexo feminino. Desde a aprovação da CEDAW pela Assembleia Geral da ONU em 1974, o combate à discriminação tem sido pauta global, embora as diferenças de tratamento entre os gêneros evidenciem um problema estrutural e cultural profundo.
O problema é estrutural por envolver instituições, leis e a organização econômica e política baseada historicamente no patriarcado. Paralelamente, é cultural por englobar hábitos, preconceitos e valores internalizados na sociedade. Escritos sagrados e correntes tradicionais de diversas religiões também reforçam o homem como líder espiritual e chefe familiar, silenciando as mulheres e perpetuando papéis desiguais de poder que limitam a autonomia feminina no cotidiano.
Na esfera jurídica e sociológica, o conceito de feminicídio ganhou contornos específicos para dar visibilidade aos assassinatos motivados por ódio e discriminação de gênero. No Brasil, dados recentes do Atlas da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam patamares alarmantes e recordes de notificações de agressões físicas, sexuais e mortes violentas dentro de residências, afetando desproporcionalmente mulheres negras e a população de transgêneros e travestis.
Diante desse cenário, a educação pública e o ambiente escolar emergem como frentes vitais de transformação. A implementação de diretrizes pedagógicas inclusivas e de programas voltados à prevenção, inspirados na legislação vigente e em iniciativas como o projeto Maria da Penha vai à Escola, busca desconstruir clichês tradicionais, promover a resolução pacífica de conflitos e ensinar crianças e adolescentes a lidarem com suas emoções sem opressão.
Contudo, os desafios são amplificados pela evasão e pelo abandono escolar, motivados por necessidades financeiras precoces, gravidez na adolescência ou clima de insegurança. Paralelamente, o núcleo familiar atua como o primeiro espaço de socialização, onde o diálogo e o reconhecimento emocional são decisivos para interromper a transmissão geracional de comportamentos machistas e violentos.
A erradicação da violência de gênero exige uma resposta coletiva que una escolas, famílias, o sistema de justiça e o engajamento dos homens como aliados por meio de grupos de reflexão. Somente com políticas públicas contínuas e mudanças culturais profundas será possível assegurar a plena autonomia social, econômica e cultural das mulheres, garantindo um futuro livre de abusos e desigualdades.
Fonte: www.campograndenews.com.br
