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Guterres vive meses finais na liderança da ONU com legado sob disputa

A poucos meses de encerrar seu mandato como secretário-geral das Nações Unidas, o ex-premiê português António Guterres enfrenta opiniões divergentes sobre sua gestão, marcada por sucessivas crises globais e restrições orçamentárias.

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Guterres vive meses finais na liderança da ONU com legado sob disputa

Aos 77 anos, António Guterres aproxima-se do final de seus dez anos à frente da Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) envolto em avaliações divididas sobre seu legado. O ex-primeiro-ministro de Portugal, primeiro lusófono a comandar o organismo global, tem sido descrito por alguns observadores como um líder que enfrentou uma sucessão desfavorável de eventos e crises internacionais complexas.

Durante seus dois mandatos, Guterres precisou lidar com a pandemia de Covid-19, a escalada de conflitos como as guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã, o agravamento da emergência climática e o desafio recorrente representado pelo ceticismo em relação ao multilateralismo por parte de administrações nos Estados Unidos. Essa sucessão de crises gerou visões polarizadas entre críticos, que apontam falta de pulso firme na mediação de conflitos, e defensores, que exaltam sua visão e a capacidade de manter a estrutura da ONU operando.

A gestão do diplomata português também coincidiu com um período de forte aperto orçamentário. Especialistas apontam que a instituição precisou reduzir operações de manutenção da paz e assistência humanitária em diversas regiões vulneráveis, com quedas expressivas nos repasses para países como Sudão do Sul, Ucrânia e Haiti. Apesar disso, analistas destacam sua insistência em pautar temas futuros, como os riscos e benefícios associados ao avanço da inteligência artificial.

No centro das principais críticas ao longo de sua década no cargo está a condução das negociações de paz frente ao maior número de conflitos globais desde a Segunda Guerra Mundial. Diplomatas apontam que Guterres perdeu canais diretos de diálogo com potências envolvidas em confrontos ativos, tendo inclusive sido declarado persona non grata por autoridades israelenses. Em contraponto, aliados relembram iniciativas de destaque, como o acordo de grãos no mar Negro em 2022 e esforços diplomáticos recentes no Chipre.

O atual mandato do secretário-geral encerra-se em 31 de dezembro, antecedido por sua última Assembleia-Geral em Nova York. A corrida sucessória permanece indefinida, aguardando consenso entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, enquanto cresce a mobilização para que a próxima liderança seja ocupada por uma mulher pela primeira vez na história da organização.

Entre reformas administrativas pontuais promovidas em sua gestão — como a criação do programa ONU80 para modernizar a estrutura e fortalecer o multilateralismo —, Guterres também contou historicamente com o apoio do Brasil em sua eleição original. Nos bastidores de sua despedida, figuras diplomáticas enfatizam que ele buscou insistentemente o diálogo e a transição energética global, deixando em aberto os próximos passos de sua trajetória pessoal após o encerramento de sua missão internacional.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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