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Infiltração do PCC em empresas de ônibus de SP completa três décadas e vira canal de lavagem

Investigações apontam que a presença da facção criminosa no sistema de transporte coletivo paulista remonta aos anos 1990 e evoluiu para um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

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Infiltração do PCC em empresas de ônibus de SP completa três décadas e vira canal de lavagem

A infiltração de membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo por ônibus em São Paulo é um fenômeno com três décadas de histórico, acompanhando a própria consolidação do grupo no estado. O processo de infiltração envolveu a regularização de serviços periféricos nas décadas passadas e a ascensão de figuras políticas ligadas ao setor de transporte.

Entre os alvos recentes das investigações está o ex-vereador Milton Leite, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o proprietário de fato da empresa Transwolff. A operação policial resultou em ordens de prisão temporária e buscas em diversos endereços no estado, com o objetivo de desarticular um esquema que utiliza companhias de ônibus para ocultar e lavar valores ilícitos.

As raízes desse modelo remontam aos anos 1990, quando a privatização da CMTC gerou uma crise na mobilidade urbana e abriu espaço para a proliferação de vans clandestinas nas periferias. Com o crescimento simultâneo do PCC na mesma década, a facção encontrou no setor uma oportunidade lucrativa de expansão, consolidando o controle por meio da compra de cotas de cooperativas que posteriormente deram origem a empresas oficializadas.

As autoridades apontam que a mistura entre repasses públicos de subsídios, arrecadação tarifária de passageiros e injeção de capital oriundo do tráfico de drogas transformou as companhias de ônibus em instrumentos fundamentais para a engenharia financeira do crime organizado. Especialistas em segurança pública destacam que essa estratégia permite à facção expandir mercados e consolidar poder territorial e econômico em parceria com estruturas do Estado.

A Prefeitura de São Paulo informou que não compactua com irregularidades e que criou um grupo de trabalho para analisar minuciosamente os elementos apresentados pelas investigações. Enquanto isso, as defesas dos empresários e políticos investigados negam qualquer envolvimento com a organização criminosa, afirmando que os recursos das empresas decorrem exclusivamente de contratos públicos vigentes.

A sequência de operações policiais recentes, incluindo investigações sobre outras companhias como a Transunião e a A2 Transportes, evidencia a complexidade do desafio enfrentado pelos órgãos de persecução penal para blindar serviços essenciais contra a infiltração de capitais ilícitos e o avanço do crime organizado na administração pública.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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