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Cortar metano passa de atalho a obrigação com ‘overshoot’, dizem especialistas

Especialistas apontam que a redução nas emissões de metano deixou de ser apenas um atalho para se tornar uma obrigação urgente diante do avanço do aquecimento global e do fenômeno de 'overshoot'.

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Cortar metano passa de atalho a obrigação com ‘overshoot’, dizem especialistas

A redução das emissões de metano, antes vista como um mero atalho para mitigar os impactos iniciais da crise climática, transformou-se em uma obrigação incontornável. A avaliação é de especialistas que acompanham os alertas recentes de organismos internacionais sobre a inevitabilidade do chamado ‘overshoot’, período em que o planeta ultrapassa temporariamente limites críticos de temperatura.

O conceito de ‘overshoot’ descreve a trajetória em que o aquecimento global supera a meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris. Com o avanço das temperaturas médias globais e a manutenção dos níveis atuais de emissão, cientistas alertam que o planeta caminha para cenários ainda mais graves até o final do século se medidas drásticas não forem adotadas imediatamente.

Especialistas destacam que a superação prolongada de limites térmicos aciona pontos de inflexão irreversíveis na natureza. Entre os riscos mais alarmantes para o Brasil está a savanização da Amazônia, processo que comprometeria de forma permanente ecossistemas vitais e provocaria a extinção em massa de inúmeras espécies animais e vegetais.

Nesse contexto, o corte acelerado nas emissões de metano destaca-se como a ferramenta mais rápida para conter o avanço térmico. Por ser um superpoluente de vida curta na atmosfera — com potencial de aquecimento dezenas de vezes superior ao do dióxido de carbono em curto prazo —, zerar as emissões de metano nas próximas décadas trará alívio imediato aos termômetros globais.

As principais frentes de emissão humana de metano dividem-se entre a agropecuária, a cadeia de combustíveis fósseis e o manejo de resíduos orgânicos. Enquanto o setor fóssil dispõe de tecnologias de mitigação viáveis e de baixo custo, a área de resíduos e a pecuária exigem a implementação de políticas públicas mais assertivas e ganhos de produtividade.

No Brasil, onde a pecuária responde pela maior parcela das emissões do gás, estratégias como a exigência de menor tempo de pasto para os animais e o incentivo à pecuária regenerativa ganham espaço. No entanto, cientistas reforçam que o sucesso dessas iniciativas depende de compromissos firmes dos governos e do combate ao negacionismo ambiental.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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