Neste domingo, data em que se celebra o Dia do Gaúcho e se encerra a Semana Farroupilha, histórias de migração e preservação cultural vêm à tona em Mato Grosso do Sul. O secretário do CTG Tropeiros da Querência, Josceli Pereira, de 63 anos, relembra a jornada de sua família, que deixou o Rio Grande do Sul em 1976 durante o maior movimento migratório rumo ao então Mato Grosso.
A chegada ao novo território foi motivada pela busca de oportunidades na agricultura e por terras consideradas baratas na época. O deslocamento de cerca de 1.200 quilômetros da divisa sulista consolidou cidades como São Gabriel do Oeste e moldou a identidade de centenas de famílias que se instalaram na região.
Na bagagem cultural trazida pelos migrantes, destacam-se hábitos tradicionais que rapidamente conquistaram a população local. A costelada de fogo de chão, preparada ao longo de três a quatro horas para garantir maciez e sabor, tornou-se um importante ponto de ligação gastronômica entre a cultura gaúcha e a sul-mato-grossense.
A cada mês de setembro, as comemorações se intensificam com a Semana Farroupilha, evento que rememora a Revolução Farroupilha, conflito armado ocorrido entre 1835 e 1845. A festividade relembra a insatisfação gaúcha com a tributação do charque durante o período imperial e a autoproclamação temporária da República Rio-Grandense.
A programação festiva nos centros de tradição inclui o tradicional fandango, estilo musical que resgata os antigos bailes de galpão, além do consumo de chimarrão e churrasco. Atualmente, Campo Grande abriga dois principais espaços dedicados à cultura sulista: o CTG Farroupilha, fundado em 1962, e o CTG Tropeiros da Querência, inaugurado em 1990.
Para descendentes como Josceli e seu neto Miguel, de 10 anos, manter essas raízes vivas é motivo de orgulho. Com laços familiares firmados em solo sul-mato-grossense e títulos de cidadania adotados, a comunidade gaúcha preserva suas tradições independentemente da distância do estado de origem.
Fonte: www.campograndenews.com.br
