Últimas notícias
BRASIL

Capital das árvores, Campo Grande encara desafio de mantê-las vivas e saudáveis

Com 175 mil unidades plantadas nas calçadas, Campo Grande registrou 3.702 quedas de árvores entre 2023 e 2026, enfrentando desafios com podas irregulares e plantios inadequados do passado.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Capital das árvores, Campo Grande encara desafio de mantê-las vivas e saudáveis

Reconhecida sete vezes consecutivas com o título de Tree City of the World (Cidade Árvore do Mundo), Campo Grande destaca-se nacional e internacionalmente por sua vasta arborização urbana. No entanto, a cada temporal que atinge a Capital, parte desse patrimônio verde acaba indo ao chão. A população arbórea nas calçadas é estimada em cerca de 175 mil unidades, conforme levantamento realizado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em 2024. Entre 2023 e este ano, o Corpo de Bombeiros atendeu a 3.702 ocorrências de quedas de árvores na cidade.

O principal agente causador desses tombamentos são os temporais. Somente neste ano, a corporação registrou 759 ocorrências. De acordo com Dayane Zanela, gerente de arborização da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), é justamente nesses episódios climáticos severos que se concentra a maioria das quedas, muitas delas apresentando riscos iminentes de acidentes para a população e veículos.

Apesar da quantidade expressiva de registros, a gestora pondera que o índice é proporcionalmente baixo diante do total de árvores presentes no município. Contudo, ela ressalta a urgência de tratar a vegetação urbana como uma infraestrutura essencial. Para Zanela, as árvores precisam de manutenção contínua e alocação de recursos públicos específicos para o seu manejo adequado, garantindo a segurança e a preservação do meio ambiente urbano.

Um dos maiores desafios enfrentados atualmente pela administração municipal é corrigir heranças do passado, período em que diversas espécies foram plantadas em espaços totalmente incompatíveis com o porte que atingiriam na fase adulta. Espécies como a fícus, por exemplo, não são recomendadas para calçadas devido ao seu crescimento desproporcional. Como resposta, a prefeitura tem realizado gradualmente a substituição de espécimes considerados inadequados para os locais onde foram inseridos.

Além dos locais incorretos de plantio, as podas drásticas e realizadas de maneira inadequada também comprometem drasticamente a estabilidade das plantas. A equipe técnica da Semades aponta que muitas das árvores avaliadas com risco de queda apresentam um histórico de intervenções malfeitas, o que desequilibra o exemplar e enfraquece sua sustentação natural durante ventanias fortes.

Para tentar amenizar o problema no futuro, a prefeitura disponibiliza o Manual de Arborização Urbana, orientando cidadãos sobre as espécies corretas para cada calçada. A Semades também oferece mudas gratuitas à população, mas condiciona a entrega à vistoria técnica do local de plantio. Com uma equipe enxuta de quatro auditores fiscais ambientais que lidam com centenas de solicitações mensais, a pasta reforça a importância da colaboração dos moradores no envio de informações detalhadas e fotos para priorizar vistorias de risco.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano