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Aposta eleitoral no Bolsa Família pode não trazer o retorno esperado, aponta análise

A 17 dias do primeiro turno, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo para R$ 691, em uma estratégia de forte apelo eleitoral.

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Aposta eleitoral no Bolsa Família pode não trazer o retorno esperado, aponta análise

A 17 dias do primeiro turno das eleições, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691. Os novos pagamentos estão programados para começar a partir de 19 de outubro. Embora a medida reponha a inflação acumulada desde março de 2023, o momento escolhido evidencia uma clara finalidade eleitoral, optando por implementar na campanha o que poderia ter sido feito ao longo do mandato.

Essa movimentação parte de uma vantagem pré-existente nas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes do Datafolha mostram que o presidente Lula contava com 53% da preferência entre os eleitores que recebem o benefício ou vivem com beneficiários, contra 36% entre o restante da população. A estratégia, portanto, busca consolidar o apoio junto a esse público historicamente mais favorável.

Contudo, o calendário impõe restrições ao impacto financeiro imediato nas urnas. De acordo com o cronograma oficial, beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) de final 1 a 5 recebem os valores até o dia 23 de outubro, enquanto os demais recebem apenas após o segundo turno. Dessa forma, a promessa gera efeito imediato, mas a injeção da renda extra ocorrerá de maneira fracionada antes do encerramento da disputa eleitoral.

Especialistas apontam que o sucesso político de programas de transferência de renda depende de fatores complexos, como a capacidade local de atendimento e acompanhamento social. Estudos indicam que ganhos de popularidade para gestores públicos costumam ser mais expressivos em municípios que contam com Centros de Referência de Assistência Social (Cras) estruturados e realizam busca ativa, demonstrando que o ganho político está atrelado ao suporte estrutural prestado às famílias.

Enquanto o retorno político permanece incerto, fragilidades no desenho do programa continuam evidentes. Desde que o patamar de benefício foi ampliado em governos recentes, o programa opera com volumes expressivos de recursos, estimados em R$ 167 bilhões para 2025, sem conseguir erradicar a pobreza de forma plenamente eficiente. Estimativas com base em dados da Pnad indicam que montantes substancialmente menores seriam suficientes para extinguir a pobreza extrema caso houvesse focalização perfeita.

Para analistas, aprimorar a política social exige vincular de forma inteligente os repasses à composição familiar e suavizar a transição para beneficiários que conseguem elevar sua renda por meio do trabalho. Conectar as famílias a serviços públicos por meio de acompanhamento contínuo nos Cras e evitar atalhos puramente eleitorais são passos fundamentais para que o Bolsa Família cumpra seu papel transformador com base em evidências técnicas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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