O jornalismo brasileiro perdeu nesta terça-feira (22) um de seus maiores expoentes com a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos. Ao longo de mais de seis décadas dedicadas à imprensa e à literatura, ele construiu uma trajetória fundamental para a compreensão dos episódios políticos e das questões sociais do país.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, onde nasceu em 1º de junho de 1931, Zuenir começou sua trajetória na imprensa trabalhando no arquivo da Tribuna da Imprensa, após exercer diferentes atividades. Ao longo dos anos, consolidou seu nome ao passar por veículos de grande circulação, como Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo.
Além de atuar nas redações, Zuenir destacou-se como professor e escritor, produzindo obras que se tornaram clássicos e referências históricas. Entre seus livros mais conhecidos estão “1968: O Ano que Não Terminou”, que retrata aquele marcante período do Brasil, e “Cidade Partida”, livro-reportagem focado nas divisões sociais e na violência do Rio de Janeiro, além de “Chico Mendes: Crime e Castigo”.
O seu reconhecimento intelectual o levou a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Zuenir era membro da ABL desde 2014, quando foi eleito para ocupar a Cadeira nº 32, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.
A forte ligação do autor com o Mato Grosso do Sul ocorreu em outubro de 2009, quando ele esteve em Campo Grande como convidado do projeto Diálogos Contemporâneos. Na ocasião, Zuenir ministrou uma palestra gratuita na Câmara Municipal da Capital, debatendo o tema “Violência e cultura: as várias faces da violência no Brasil e suas relações com a cultura brasileira contemporânea”, assunto central em suas investigações sociais.
Estudantes e profissionais da imprensa da região também guardam memórias de suas passagens por terras sul-mato-grossenses. Em uma de suas visitas, ao diferenciar o ofício de jornalista do de escritor, comparou os dois papéis a peixes em águas distintas: o jornalista estaria restrito ao ambiente de um aquário, limitado pelas regras da notícia, enquanto o escritor teria a liberdade de nadar em águas mais profundas.
Fonte: www.campograndenews.com.br
