A operação policial recente que teve como alvo o ex-vereador Milton Leite e outras 15 pessoas suspeitas de manter vínculos com a facção criminosa PCC no setor de transportes revelou também conexões com uma organização social de saúde que acumula histórico de problemas judiciais e perante o Tribunal de Contas de São Paulo.
A entidade investigada é o Iase, Instituto de Atenção à Saúde e Educação, que operava sob a denominação de Aceni até o ano de 2022. Questionada pela reportagem por meio de telefone e e-mail, a instituição optou por não se manifestar, embora em ocasiões anteriores tenha negado a existência de irregularidades e classificado acusações como meras suposições.
Segundo as autoridades encarregadas das investigações, dois dos alvos da ação policial possuem laços diretos com a organização social. O primeiro é José Daniel Satilite, apontado como integrante do PCC e que atuou como conselheiro da antiga Aceni no ano de 2017, conforme registros da Polícia Civil. O segundo envolvido é Paulo Korek, que se entregou às autoridades após dias na condição de foragido, tendo parentes próximos que também integraram o conselho da mesma entidade.
O nome da organização social emergiu em diálogos interceptados por grampos telefônicos autorizados pela Justiça no ano de 2020. Nas gravações, Satilite discute com outro investigado a criação de uma nova organização não governamental e menciona que Korek já havia adotado procedimento semelhante, além de sugerir que seu próprio nome foi empregado na composição do conselho da OS.
A investigação aponta que Satilite atuava como um intermediário ou laranja em esquemas que iam além do transporte público, alcançando também a área da saúde. Enquanto a defesa de Paulo Korek sustenta a inocência de seu cliente e argumenta que as menções foram feitas por terceiros sem comprovação de ligação direta, outros suspeitos continuam sob mira da Justiça.
O histórico do Iase inclui ainda denúncias em outras esferas da administração pública, como o envolvimento em contratos sob escrutínio na cidade de Sorocaba e problemas apontados pelo Tribunal de Contas do Estado em municípios como Arujá e Guarujá, evidenciando uma rede complexa de investigações que agora se cruza com o cerco ao crime organizado nos transportes paulistanos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
