O preço do petróleo registrou uma alta superior a 3% nesta quinta-feira, impulsionado pela intensa troca de ameaças verbais entre os governos dos Estados Unidos e do Irã durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Para os agentes do mercado financeiro, o tom adotado pelas lideranças sinaliza um distanciamento ainda maior de um possível acordo de paz, cujo processo encontra-se estagnado há mais de dois meses.
Esse cenário de instabilidade geopolítica renova os temores de um bloqueio prolongado no estreito de Hormuz, rota crítica por onde transitava cerca de 20% da produção global de petróleo e gás antes do início do conflito. A tensão na região também se amplificou com a entrada de novos atores nas últimas semanas, incluindo a atuação dos rebeldes houthis no Iêmen e o envolvimento da Arábia Saudita.
Como reflexo imediato dessa conjuntura, a cotação do barril Brent, referência internacional para o mercado petrolífero, atingiu US$ 106,39, o que representou um incremento de 3,21% por volta das 5h15 no horário de Brasília. Com essa disparada, o contrato para o mês de novembro retornou ao patamar registrado há uma semana, quando havia alcançado US$ 108,59.
Posteriormente, por volta das 7h20, o barril Brent continuava operando em patamares elevados, sendo negociado a US$ 105,43, o que configurava uma alta de 2,28% em comparação ao dia anterior. No mesmo horário, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), que serve de referência para o mercado norte-americano, registrava cotação de US$ 93,81, com valorização de 1,79%.
A escalada nos preços decorre diretamente da incerteza generalizada sobre o desfecho do conflito armado, agravada pelas intervenções na ONU. Enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, proferiu ameaças de aniquilação contra o território iraniano, o mandatário do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear e classificou as ações dos Estados Unidos e de Israel como atos de terrorismo, exibindo inclusive registros fotográficos de crianças iranianas vitimadas pela guerra.
A tensão diplomática ganhou novos contornos quando o conselheiro Yahya Rahim Safavi advertiu que o Irã poderá estender o teatro de operações militares até o Oceano Índico caso o país volte a sofrer ataques norte-americanos. Diante desse panorama de incertezas persistentes e demandas iranianas que incluem a suspensão de sanções econômicas, os investidores continuam precificando um cenário prolongado de cotações elevadas para a commodity energética.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
