A taxa de pobreza na Argentina registrou alta e alcançou 32,3% no primeiro semestre de 2026, conforme dados oficiais divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos). Trata-se do primeiro avanço desse indicador desde que a inflação passou a ser controlada pela gestão do presidente Javier Milei, evidenciando tensões sociais crescentes no país.
De acordo com o levantamento oficial, o índice cresceu 4,1 pontos percentuais em comparação com o segundo semestre de 2025. O cenário de vulnerabilidade também atingiu a extrema pobreza, que passou de 6,3% para 7,5%. O impacto recai de forma mais severa sobre as crianças: 44,5% dos argentinos com até 14 anos foram classificados como pobres.
Especialistas da Universidade Católica da Argentina (UCA) estimam que a taxa geral possa alcançar 35% até o final do ano. A reversão parcial da queda observada em 2025 representa um teste político e econômico para Milei, exatos um ano antes do próximo pleito presidencial no país sul-americano.
O revés econômico coincide com o aumento da informalidade e da precariedade no mercado de trabalho. Dados do setor indicam que o desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, enquanto cerca de 30 mil empresas encerraram as atividades desde o início do atual mandato presidencial.
Em meio a sopas comunitárias lotadas e ao ressurgimento de clubes de troca de mercadorias em regiões de Buenos Aires, a desaprovação ao governo cresceu consideravelmente entre as faixas de menor renda. Pesquisas recentes apontam que a rejeição a Milei entre os mais pobres atingiu patamares elevados.
Apesar da pressão social e das dificuldades enfrentadas por pequenos comerciantes e famílias, fontes do governo argentino afirmam que a administração manterá o rigor fiscal e o programa de austeridade, rejeitando flexibilizações monetárias ou o retorno de subsídios com foco eleitoral.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
