O Acordo de Paz colombiano completou dez anos desde a sua primeira versão, celebrando uma década de transformações que redefiniram o cenário político do país sul-americano. A entrega das armas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a criação do partido Comunes representaram um dos pilares centrais do pacto de 2016, embora os resultados eleitorais da ex-guerrilha tenham ficado abaixo das expectativas iniciais.
Luis Alberto Albán Urbano, conhecido pelo pseudônimo de Marcos Calarcá, ingressou nas Farc aos 20 anos e integrou o Congresso como deputado entre 2018 e 2026. Segundo ele, a transição para a política institucional foi um desafio abrupto, marcado pela necessidade de adaptação rápida a um ambiente civil após mais de cinco décadas de luta armada.
Nas eleições legislativas de março de 2026, contudo, os Comunes registraram seu pior desempenho histórico e não elegeram nenhum candidato, reflexo do fim da garantia de assentos fixos no Legislativo estabelecida inicialmente pelo pacto. O declínio na votação também havia sido observado em pleitos locais anteriores e nas disputas presidenciais.
Apesar do baixo apelo eleitoral expresso nas urnas, especialistas e ex-integrantes do grupo avaliam que o principal legado do acordo não reside no sucesso partidário tradicional, mas sim na abertura de caminhos democráticos. Para Ángela Liliana Olaya Castro, diretora da Fundação Conflict Responses, o documento criou um cenário de esperança e viabilizou debates políticos em múltiplos níveis na sociedade.
Analistas apontam que a desmobilização da guerrilhas permitiu a consolidação de um ambiente institucional que propiciou a ascensão da esquerda ao governo nacional, liderado pelo presidente Gustavo Petro. O próprio Albán defende que o balanço da década é positivo no sentido de garantir a integração social dos signatários e o avanço de iniciativas em âmbito territorial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
