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Análise da Quaest revela mapa eleitoral dividido e forte calcificação para a disputa presidencial

Especialista da Quaest detalha padrões regionais, o peso dos eleitores independentes e os níveis de rejeição e aprovação nas pesquisas estaduais para presidente.

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Análise da Quaest revela mapa eleitoral dividido e forte calcificação para a disputa presidencial

A corrida presidencial apresenta um cenário de empate no agregado nacional, mas as pesquisas da Quaest realizadas em 26 estados revelam padrões marcantes e distintos sob a superfície desse equilíbrio. De acordo com análises detalhadas divulgadas pelo professor Felipe Nunes, o mapa do primeiro turno divide o país em três Brasis bem definidos: o atual presidente Lula aparece à frente em dez estados, compreendendo todo o Nordeste e o Amapá; Flávio lidera em oito unidades da federação, incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima; e há ainda nove estados tecnicamente empatados dentro da margem de erro, entre eles São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Um dos aspectos mais chamativos apontados pelo levantamento é a calcificação do eleitorado brasileiro em comparação ao pleito de 2022. O voto destinado a Lula apresenta uma correlação de 0,98 com o resultado do primeiro turno da eleição anterior, demonstrando que o petista aprofunda sua base exatamente onde já era forte, registrando altas expressivas no Maranhão, Bahia, Paraíba e Sergipe. Do outro lado da disputa, o comportamento do eleitorado de Flávio repete o padrão do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 com uma correlação de 0,95, indicando que, embora tenha ocorrido uma troca de nome na cabeça de chapa, o perfil dos apoiadores permaneceu praticamente inalterado no Norte e no Centro-Oeste.

Diante desse panorama de forte polarização, o real campo de disputa concentra-se nos eleitores independentes, que representam de 24% a 36% do eleitorado nos estados. Esse segmento atinge seus maiores percentuais no Rio de Janeiro, com 36%, no Amazonas, com 35%, e em Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás, onde alcançam 33%. Enquanto Lula consegue atrair votos para além do seu próprio campo político, especialmente no Nordeste, Flávio ainda enfrenta dificuldades para consolidar todo o potencial da direita em estados estratégicos como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo.

O fator da aprovação governamental também ajuda a desenhar esse mapa político, apresentando saldo positivo no Nordeste, além de estados como Amazonas e Pará, e saldo negativo em todo o Centro-Sul. Minas Gerais e Tocantins aparecem empatados nesse quesito, configurando-se justamente como locais de disputa intensa. Além disso, o sentimento de medo desempenha um papel central na organização do voto: no Nordeste, quase 60% dos eleitores temem o retorno da família Bolsonaro, enquanto no Norte e no Sul o temor de um novo mandato de Lula alcança até 64%. O receio simultâneo de ambas as alternativas atinge cerca de 8% em centros cruciais como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás.

Mesmo em locais onde aparece empatado ou em desvantagem numérica nas intenções de voto, Lula ainda é percebido por fatias expressivas da população como o favorito para vencer o pleito. Em São Paulo, por exemplo, 50% acreditam em sua vitória contra 35% que apostam em Flávio; no Rio de Janeiro, a proporção é de 49% a 37%; e no Paraná, 44% a 40%. Em contrapartida, Flávio é apontado como provável vencedor em apenas sete estados. Mesmo assim, a volatilidade ainda permanece alta, com parcelas que chegam a 23% de eleitores declarando que suas escolhas ainda podem mudar antes das urnas.

Por fim, as demandas prioritárias cobradas pelos eleitores variam consideravelmente conforme a região do país. A segurança pública e o combate à violência lideram as preocupações no Rio de Janeiro, no Ceará e na Bahia, enquanto a saúde pública desponta como o principal problema na maioria dos demais estados, alcançando até 60% das menções no Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, as consequências das enchentes ainda continuam presentes nas reivindicações de 25% da população local, mostrando que as particularidades regionais influenciam de forma direta o humor do eleitorado.

Fonte: g1.globo.com

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