Um levantamento conduzido pela empresa de tecnologia tributária Roit revela que a maioria dos candidatos à Presidência da República manifesta apoio à implementação da reforma tributária a partir de janeiro, embora grande parte dos postulantes defenda a realização de ajustes pontuais nos próximos anos. De acordo com a análise baseada em programas de governo e discursos públicos, apenas um dos candidatos cogita a possibilidade de adiar a substituição dos tributos federais prevista para o início de 2027.
A condução da transição do novo sistema fiscal caberá aos candidatos eleitos no pleito de 2026 durante o próximo quadriênio. No âmbito federal, as mudanças começam a valer logo no primeiro dia de janeiro, enquanto a transição voltada para estados e municípios tem início prático programado para 2029, período para o qual o comitê representativo já atua na estruturação operacional.
Entre os presidenciáveis, o atual presidente Lula (PT) defende a manutenção da reforma aprovada em seu mandato, enfatizando medidas como o mecanismo de devolução de impostos (cashback) para famílias inscritas no Cadastro Único e a desoneração da cesta básica. Por outro lado, nomes como Renan Santos, Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado apoiam a continuidade do calendário, mas propõem diferentes graus de modificação ou cortes na carga tributária sobre o consumo.
O levantamento destaca ainda que o candidato Flávio Bolsonaro adota uma postura mais crítica em relação à estrutura da reforma, tendo oscilado ao longo da campanha entre propostas de suspensão temporária e a correção de distorções setoriais. Especialistas do setor tributário alertam que qualquer tentativa de adiar o processo por meio de emenda constitucional colocaria em risco a arrecadação e a credibilidade econômica do país.
Diante do debate eleitoral, um grupo composto por quase cem empresários, economistas, advogados e tributaristas enviou uma carta aberta aos presidenciáveis defendendo a preservação do novo sistema. Para os signatários, a reforma representa uma conquista institucional duradoura e essencial para a segurança jurídica das empresas e dos entes federativos.
No cenário estadual, o levantamento monitorou dezenas de postulantes aos governos estaduais, com destaque para São Paulo, onde os principais colocados na disputa também demonstram apoio à transição tributária. Enquanto alguns candidatos defendem regras mais progressivas sobre o consumo e a renda, especialistas ressaltam que eventuais flexibilizações na adaptação dos contribuintes poderão ocorrer por meio de ajustes regulamentares e técnicos, preservando os marcos fundamentais já fixados na Constituição.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
