Dados parciais obtidos na prestação de contas indicam que a maioria das contribuições financeiras mais expressivas realizadas por pessoas físicas diretamente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provém de servidores e ocupantes de cargos comissionados na administração pública federal e em empresas estatais.
Entre os 76 doadores que repassaram ao menos R$ 2.500 de forma direta, sem a intermediação de ferramentas de financiamento coletivo, a reportagem identificou que 57 possuem vínculo funcional com o governo. Essas contribuições somam R$ 425 mil no total, divididos entre transferências bancárias diretas e valores estimados em prestação de serviços.
Embora o montante represente uma parcela modesta frente aos R$ 66,9 milhões acumulados pela campanha — majoritariamente financiados pelos fundos eleitoral e partidário —, o valor supera a arrecadação obtida pelas plataformas de vaquinhas virtuais, que alcançaram R$ 283 mil segundo dados da Justiça Eleitoral.
O grupo de colaboradores governamentais abrange diferentes escalões, incluindo ministros de Estado, secretários, assessores e diretores de estatais. Dentre os 57 nomes mapeados, oito acumulam funções em conselhos de administração de empresas públicas federais, recebendo remuneração complementar conhecida como jeton.
Integrantes da campanha e do governo relataram sob reserva que o engajamento e a intensificação das transferências financeiras cresceram nas últimas semanas, impulsionados por mobilizações internas e pelo receio de acirramento na disputa eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A grande maioria das doações individuais foi computada após meados de setembro.
Especialistas em direito eleitoral consultados apontam que a prática de doações por comissionados e aliados políticos é comum e legal, desde que não haja comprovação de coação ou pressão direta por parte da gestão pública. Tanto a campanha presidencial quanto os ministérios citados negaram veementemente qualquer diretriz, incentivo ou solicitação institucional para que servidores realizassem os repasses financeiros.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
