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Estônia acusa Rússia de incendiar fábrica de drones militares e Kremlin rejeita imputação

Nação báltica responsabiliza Moscou por ataque a instalações da Milrem Robotics e Otan classifica o episódio como parte de uma campanha de intimidação na Europa.

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Estônia acusa Rússia de incendiar fábrica de drones militares e Kremlin rejeita imputação

A Estônia formalizou nesta terça-feira (29) uma grave acusação contra a Rússia, responsabilizando o Kremlin pelo incêndio em uma fábrica de drones terrestres localizada em sua capital, Tallinn. O incidente ocorreu na madrugada de 14 para 15 de agosto e atingiu as instalações da Milrem Robotics, empresa de destaque mundial na fabricação de veículos autônomos militares utilizados pela Ucrânia em meio ao conflito iniciado em fevereiro de 2022.

Com essa manifestação pública, a nação báltica tornou-se o segundo país integrante da Otan a apontar diretamente Moscou por ações hostis em território aliado, seguindo um precedente estabelecido anteriormente pela Alemanha. O primeiro-ministro estoniano, Kristen Michal, declarou categoricamente que o ato criminoso foi ordenado pelos serviços especiais russos, classificando o episódio como parte de uma estratégia mais ampla para desestabilizar a Europa e enfraquecer o apoio militar a Kiev.

A empresa afetada, Milrem Robotics, mantém uma importante parceria com a Holanda para linhas de montagem e tem previsão de entregar cerca de 150 unidades de seus robôs de esteira modelo TheMis à Ucrânia ao longo deste ano. Os equipamentos são versáteis, servindo para missões de transporte, reconhecimento e combate direto quando equipados com armamentos como metralhadoras.

Em paralelo às investigações criminais conduzidas pelas autoridades estonianas, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, visitou a Lituânia e classificou o ataque como um sinal de que as ações russas estão se tornando cada vez menos contidas. Rutte admitiu o impacto da chamada guerra híbrida no continente europeu, embora tenha ressaltado que a aliança militar dispõe de múltiplas opções de resposta e que Moscou tem falhado em seu objetivo de minar o suporte ocidental aos ucranianos.

Do lado russo, o chanceler Serguei Lavrov rebateu as imputações reiterando a narrativa oficial do Kremlin de que o Ocidente conduz, na prática, uma guerra aberta contra a Rússia. A escalada de tensões acende alertas na comunidade internacional sobre os riscos de confrontos diretos que possam acionar a cláusula de defesa mútua da Otan, gerando reações de solidariedade de líderes europeus como o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.

Enquanto aliados europeus demonstram forte preocupação com a segurança regional e a vulnerabilidade dos Estados bálticos, divergências pontuais emergem entre os vizinhos. O primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius, adotou tom distinto ao ponderar que, apesar das críticas severas a Moscou, não há evidências concretas de que a Rússia esteja preparando uma investida militar iminente contra qualquer membro da aliança atlântica.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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