O Dia Mundial do Jornalismo, celebrado recentemente, traz à tona um cenário preocupante marcado pelo avanço de regimes autoritários, pela perda de espaço da liberdade de expressão, pelo aumento do cerceamento à imprensa e por ataques direcionados a profissionais da área, com destaque para a violência contra mulheres jornalistas.
Dados do Democracy Report 2026, elaborado pelo V-Dem Institute, revelam que 74% da população mundial vive atualmente sob autocracias. Apenas 26% residem em democracias e somente 7%, o equivalente a cerca de 600 milhões de pessoas, habitam países considerados democracias liberais, evidenciando um declínio que já atingiu 85 países desde o ano 2000.
Especialistas em ciência política apontam que as democracias contemporâneas frequentemente sofrem erosão por dentro do próprio sistema, com o enfraquecimento gradual de instituições e o abandono de normas de convivência. Nesse contexto, adversários políticos e jornalistas passam a ser tratados como inimigos, enquanto mecanismos de controle institucional são instrumentalizados para eliminar o contraditório.
A desinformação e a propaganda sem compromisso com os fatos agravam o cenário. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, aponta que a confiança nas notícias caiu para 37% nos 48 mercados pesquisados, ao passo que 62% dos entrevistados expressam preocupação com a propagação de informações falsas na internet, colocando fatos comprovados e mentiras deliberadas em pé de igualdade aparente.
A liberdade de imprensa, longe de ser um privilégio corporativo, constitui um direito essencial do cidadão e um pilar da cidadania. Para além da disponibilidade de informações, torna-se indispensável que a sociedade compreenda os processos de produção jornalística, reconheça fontes confiáveis e saiba distinguir fatos de opiniões, sem desconsiderar o desafio econômico de manter veículos independentes e investigações de longo prazo.
Apesar dos múltiplos desafios impostos à atividade jornalística, o movimento em torno do Dia Mundial do Jornalismo apresentou crescimento expressivo no Brasil, registrando alta na adesão e forte diversificação na mobilização. A união entre entidades, universidades e diferentes modelos de veículos reforça a urgência de colocar a sustentabilidade da imprensa e a educação midiática no centro do debate nacional para a formação de cidadãos críticos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
