Setembro marca a transição para um novo ciclo no agronegócio brasileiro e, para muitas empresas do setor, o período representa muito mais do que o início de uma nova safra. É também uma oportunidade para revisar equipes, orçamento, fluxo de caixa, processos, capacidade operacional e estrutura de gestão antes do aumento das atividades nos meses seguintes.
A preparação ganha ainda mais relevância diante de um cenário de maior pressão financeira. Nos dois primeiros meses do Plano Safra 2026/27, os desembolsos de crédito rural somaram R$ 44,3 bilhões, o que representa uma queda de 37,8% em relação ao mesmo período da safra anterior, conforme levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base em dados do Banco Central.
Paralelamente, a disponibilidade de mão de obra segue como um dos principais desafios do agronegócio brasileiro. Um estudo encomendado pelo Sistema CNA/Senar mostra que 94,8% dos produtores consultados enfrentam algum tipo de dificuldade para contratar trabalhadores, enquanto 44,5% apontam a escassez de pessoal como o principal problema do setor.
Filipe Cardoso, Head de Produto do agronegócio na Senior Sistemas, destaca que a virada de safra concentra decisões cruciais. Em um período de maior pressão sobre custos, crédito e profissionais, antecipar gargalos é essencial para ganhar escala sem perder eficiência, utilizando a tecnologia para obter maior visibilidade e controle da operação.
O contexto de alta produtividade do país eleva ainda mais a exigência por organização. De acordo com o 12º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 deve alcançar a marca de 361,7 milhões de toneladas de grãos, registrando uma alta de 2,6% em relação à temporada anterior, com uma área plantada estimada em 83,5 milhões de hectares.
Diante desse cenário, especialistas apontam quatro frentes fundamentais que exigem atenção prévia das empresas: a gestão de pessoas para o aumento do quadro e controle de jornada; o rigor no fluxo financeiro para lidar com novas despesas e compromissos anteriores; a preparação fiscal diante do crescimento de transações e da complexidade tributária; e a integração tecnológica da operação para transformar dados em produtividade no campo.
Fonte: www.campograndenews.com.br
