Últimas notícias
DESTAQUES

A tabuleta do Custódio

Artigo aborda as reviravoltas da história política brasileira e a reflexão sobre as escolhas institucionais e eleitorais do país.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
A tabuleta do Custódio

A reflexão sobre a história política brasileira remete a episódios emblemáticos e figuras que marcaram a transição de regimes no país. Na Rua do Catete, no Rio de Janeiro, em novembro de 1889, um confeiteiro chamado Custódio — personagem da ficção de Machado de Assis em Esaú e Jacó — ilustra as incertezas de um momento de virada institucional. Às vésperas da proclamação da República, a antiga Confeitaria do Império precisava de uma nova placa, evidenciando as adaptações exigidas pelas mudanças de poder.

A proclamação da República, liderada por figuras como Marechal Deodoro da Fonseca, foi marcada por contingências e articulações políticas peculiares. Getúlio Vargas, décadas depois, exemplificou a plasticidade das alianças ao transitar entre diferentes estruturas de poder, criando bases partidárias distintas e retornando ao poder nos braços do povo após períodos de afastamento. A trajetória republicana seguiu pontuada por arranjos políticos, frentes amplas e mudanças constitucionais que moldaram o Estado brasileiro ao longo do século XX.

A análise da série ‘Presidente da Semana’, da Folha de S.Paulo, reforça a percepção de continuidade nas estruturas de poder, independentemente de rostos, fardas ou siglas partidárias. Desde os acordos da República Velha até os desdobramentos da Nova República inaugurada com José Sarney, a adaptação à conveniência política tem sido uma constante na dinâmica nacional, refletindo-se tanto nas altas esferas de governo quanto no comportamento social.

Para além das figuras históricas e dos arranjos institucionais, o texto aponta que a responsabilidade pelas escolhas políticas ecoa na sociedade. O comportamento adaptativo não se restringe aos poderosos, mas permeia as relações cotidianas e a forma como o cidadão se relaciona com a coisa pública, transformando muitas vezes o espaço público em um balcão de interesses individuais.

O pleito eleitoral traz à tona a importância do momento em que o eleitor se posiciona individualmente na cabine de votação. Diante da urna, sem interferências externas, o cidadão utiliza ferramentas democráticas para registrar suas escolhas por meio de números, rostos e siglas, confirmando os rumos da representação política no país.

Assinado pelo filósofo e PhD em Psicologia Gillianno Mazzetto, o artigo publicado estimula o debate e a reflexão sobre os problemas estruturais e comportamentais da política brasileira, convidando os leitores a pensarem criticamente sobre a participação cidadã e o significado das decisões coletivas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano