Últimas notícias
BRASIL

Brasil chega à eleição sob degradação institucional sem precedentes, diz coautor de livro sobre democracia

Cientista político Marcus André Melo avalia que o país enfrenta uma deterioração inédita nas instituições e alerta para o peso estratégico das próximas eleições na composição do STF.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Brasil chega à eleição sob degradação institucional sem precedentes, diz coautor de livro sobre democracia

O cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcus André Melo avalia que o Brasil enfrenta um cenário de degradação institucional sem precedentes históricos. Em análise recente, o especialista aponta que o escândalo envolvendo o caso Master expõe uma simbiose inédita entre interesses públicos e privados, atingindo de forma profunda as engrenagens centrais do sistema de freios e contrapesos da República.

Segundo Melo, que também atua como colunista, o processo eleitoral ganhou contornos de disputa ainda mais acirrados devido à possibilidade de o próximo presidente da República indicar até quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). Esse fator eleva o peso da disputa de 2026 a um patamar de soma zero, no qual o vencedor do pleito consolida forte influência sobre a composição da mais alta corte do país.

Ao relembrar a trajetória política desde a redemocratização, o pesquisador aponta que períodos de maior estabilidade, como o registrado sob o Plano Real e nos governos de Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiram estruturar o presidencialismo multipartidário. No entanto, crises subsequentes, marcadas pelo mensalão, pelo desequilíbrio fiscal e pela Operação Lava Jato, desencadearam um vale-tudo institucional cujas faturas são cobradas no cenário atual.

O especialista destaca que, diferentemente de crises anteriores em que os suspeitos usuais se restringiam a empreiteiras e membros dos poderes Executivo e Legislativo, o momento atual atinge o núcleo duro da institucionalidade estatal. O envolvimento de setores ligados ao Judiciário, tribunais de contas e órgãos reguladores em escândalos recentes representa um diferencial negativo e sem paralelos na história recente das democracias.

Diante do quadro de fragilidade econômica, conflitos institucionais e pressões políticas, o governo federal tem recorrido a medidas de forte apelo popular e eleitoral. A adoção de iniciativas de impacto financeiro expressivo, a poucas semanas das urnas, reflete os incentivos gerados por um cenário de acirrada disputa e de limitações de base no Congresso Nacional.

Apesar do diagnóstico sombrio de captura do Estado por interesses particulares, Melo pondera que o Brasil não esgotou suas defesas institucionais. Para ele, a atuação contínua da imprensa independente, de setores da sociedade civil, de núcleos profissionais do Estado e o impacto gerado por investigações de grande repercussão demonstram que a resiliência democrática segue viva, embora o país permaneça navegando em meio a turbulências severas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin