Circula intensamente nas redes sociais um vídeo que mostra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), supostamente afirmando que teria ingressado na Corte com a missão de destruir Jair Bolsonaro, seus filhos e o bolsonarismo. A checagem do conteúdo, no entanto, confirmou que a informação é inteiramente falsa e que o material audiovisual foi manipulado com o uso de inteligência artificial.
A gravação foi publicada inicialmente no Facebook, onde rapidamente acumulou dezenas de milhares de curtidas. A legenda da publicação tentava alarmar os usuários ao afirmar que o magistrado teria revelado um plano para aniquilar adversários políticos e transformar o Brasil em uma ditadura comunista, omitindo intencionalmente a origem sintética do conteúdo exibido nas imagens.
Na versão falsa, o áudio utiliza uma voz clonada que simula a do ministro para proferir declarações sobre o socialismo, planos de poder e supostas ameaças contra figuras políticas da oposição. Embora o vídeo original contenha um aviso de que se trata de conteúdo de IA apenas em sua parte final e na tela de encerramento, muitos usuários nos comentários acreditaram na veracidade das afirmações.
Para comprovar a fraude, o material foi submetido à plataforma especializada Hive Moderation, ferramenta de detecção de conteúdos fabricados. A análise apontou uma probabilidade de 99,3% de que o áudio tenha sido gerado sinteticamente ou que o material constitua um deepfake, técnica que permite alterar gravações e simular falas e rostos de pessoas públicas.
A assessoria de imprensa de Flávio Dino confirmou que o ministro jamais proferiu as declarações que lhe foram atribuídas. A investigação identificou que o registro original que serviu de base para a fraude veio de uma participação do magistrado no programa ‘Diálogos Supremos’, transmitido pela Rádio e TV Justiça, onde ele discutia o impacto das decisões da Corte nas garantias de liberdades.
Especialistas em checagem alertam que conteúdos humorísticos ou satíricos criados por páginas na internet frequentemente acabam descontextualizados e passam a circular como se fossem fatos reais, reforçando a necessidade de verificação rigorosa antes do compartilhamento de vídeos nas plataformas digitais.
Fonte: g1.globo.com
