O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como o “Pablo Escobar brasileiro”, negou qualquer participação no esquema de tráfico internacional de cocaína pelo qual está sendo julgado na Bélgica. A declaração ocorreu na reta final do processo, que tramita no complexo Justitia, na região de Bruxelas.
Aos 68 anos, Carvalho pode receber uma pena de 15 anos de prisão por supostamente ter fornecido pelo menos 16 toneladas de cocaína à organização criminosa de Flor Bressers. Diante dos juízes, o sul-mato-grossense alegou inocência e afirmou que os crimes investigados foram cometidos por outra pessoa com o mesmo nome. “Foi um homônimo que cometeu esses crimes, não eu”, declarou.
O julgamento tem sido marcado por diversos percalços, incluindo troca de juízes, reclamações sobre as condições dos réus e conflitos acirrados entre advogados e o Ministério Público belga. Devido a graves problemas de saúde, Carvalho havia faltado a várias sessões anteriores, mas compareceu para apresentar pessoalmente sua versão dos fatos.
Apontado como uma figura central na logística internacional do narcotráfico, o brasileiro foi capturado na Hungria em junho de 2022, após uma longa busca coordenada pela Interpol, e extraditado para a Bélgica no ano seguinte. Ele também era alvo de mandados e investigações conduzidas por autoridades dos Estados Unidos, da Itália e da Espanha.
De acordo com o Ministério Público belga, a rede criminosa utilizava uma empresa de tratamento de água localizada na Antuérpia como fachada para importar entorpecentes da América do Sul. As investigações apontam que dezenas de carregamentos geraram lucros milionários para o esquema antes do desmantelamento das operações e da captura dos principais líderes da organização na Europa.
A fase final das audiências reúne os argumentos finais da acusação e da defesa. Embora os trabalhos no tribunal avancem para a conclusão, os autos e relatórios recentes ainda não estipulam uma data definitiva para o anúncio da sentença pelo judiciário belga.
Fonte: www.campograndenews.com.br
